Fortaleza de Humaitá
Nunca mais pousarei minha mão em teu seio
Nunca mais sentirei o ardor de tua carne
Minha vida se alenta no passado
Meu corpo moribundo sente necessidade de cura
Ah! este néctar dos teus lábios
como me saciavam nas noites de pedras
Não me culpe por te querer
Venha banhar meu corpo com tua mão
Venha me embebedar com tua saliva
Amor!
dor mais cruel do que a morte
Me ignoras, me destrói
numa melodia
numa hemorragia
alucinante
Oh, dor!
que finca minha carne
que brota no meu sangue
e escorre n'alma
Minhas noites tornaram-se deserto e desespero
A solidão me arrasta pelo chão das estrelas
E tu brilhas com tua face linda sobre meus olhos
Nem te odiar consigo
Não posso te condenar por não me querer
A distância do teu corpo
me estrangula, me sufoca
tira toda força do meu peito
Meu riso é um escape
para chuva que nasce de mim
Vivo vagando como uma estrela bêbada
cadente?
ou decadente
sem órbita
sem destino
Meu brilho é falso
meu fogo é ódio
em raiva me decomponho.
Henrique Rodrigues Soares - Relicário das Dores
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