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sábado, 7 de abril de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Salmo 19


Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.

Não há fala, nem palavras; não se lhes ouve a voz.

Por toda a terra estende-se a sua linha, e as suas palavras até os consfins do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,

que é qual noivo que sai do seu tálamo, e se alegra, como um herói, a correr a sua carreira.

A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até a outra extremidade deles; e nada se esconde ao seu calor.

A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples.

Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos.

O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.

Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o que goteja dos favos.

Também por eles o teu servo é advertido; e em os guardar há grande recompensa.

Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos.

Também de pecados de presunção guarda o teu servo, para que não se assenhoreiem de mim; então serei perfeito, e ficarei limpo de grande transgressão.

Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!


Davi - Bíblia - Salmos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Leio-te!


Leio-te: — o pranto dos meus olhos rola:
— Do seu cabelo o delicado cheiro,
Da sua voz o timbre prazenteiro,
Tudo do livro sinto que se evola ...


Todo o nosso romance: - a doce esmola
Do seu primeiro olhar, o seu primeiro
Sorriso, - neste poema verdadeiro,
Tudo ao meu triste olhar se desenrola.


Sinto animar-se todo o meu passado:
E quanto mais as páginas folheio,
Mais vejo em tudo aquele vulto amado.


Ouço junto de mim bater-lhe o seio,
E cuido vê-Ia, plácida, a meu lado,
Lendo comigo a página que leio.


Olavo Bilac


®Verso & Prosa Poemas
www.versoeprosapoemas.blogspot.com

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Toda Ternura


toda ternura no olhar
explode o amor pelas paredes
a pele arrepia em delírio
segreda seus desejos
derrama beijos
no horizonte do silêncio
corpo abraça corpo


Luiza Maciel Nogueira

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Viver o Simples


E achava que da vida minha sina,
Era viver invisível neste mundo,
E não conhecia nada de profundo,
Emoções incalculáveis, desmedidas.


E acreditando passar despercebida
Por cenários repetidos, rotineiros,
Não me pressentia do fim derradeiro
Que de mim se aproximava prometida.


Prometida estava a morrer em mim
Essa cegueira da alma, o não ver,
Coisas que são mascaradas pela dureza.


Por que quando a tristeza teve fim
Pude nas pequenas coisas perceber,
Que é nelas que se encontra a beleza.


Andréia Pariz
Publicado no Recanto das Letras em 27/01/2011
Código do texto: T2755652

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Tempo


Tempo fugaz e passageiro,
Cruel e ligeiro amedronta,
Finca estacas e demarca,
E prossegue fugidio, escapa!


Tanto tempo esperado, valorado!
Quanto dele desperdiçado!
Escorrega ligeiro esse tempo...
Foge entre os dedos, escapa!


Tempo, traiçoeiro e bendito!
Apunhala pelas costas,
Incautos personagens dessa vida...
Tempo, vilão ou benfeitor?


Benfazejo, divino, saboroso...
Esse tempo ditoso, desejado...
Valioso tesouro, aproveitado,
Relicário bendito, delicado!


Inez Teves

sábado, 31 de dezembro de 2011

Soneto do Olhar Puro


Mas ora, (me dirás) por que criança?
Por que agir de modo infantil?
E eu te direi que ao ver o céu anil,
Ainda vejo nele a esperança.


Que ao acordar prefiro ver o novo,
Em coisas muito antes conhecidas,
Por que o olhar de outra perspectiva,
Traz outras descobertas que absorvo.


E responderás: Mas que disparate!
Por que ver coisas simples com surpresa,
És louca? Responda-me, com franqueza.


Veja bem, (Te direi em meu rebate)
O que nos cega, adultos, é a rudeza,
E o novo está no olhar que tem pureza.


Andréia Pariz
Publicado no Recanto das Letras em 03/02/2011
Código do texto: T2770456

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Homenagem para o Grande Armando Giesta - Young Flu - Uma Paixão em Torcida



Os teus guerreiros marcham pela pista.
Vitórias e adversidades, nosso ritmo, punho colado.
As tuas concentrações
com teus cantos de paixão
e teu alarido de guerra.


O mar branco na arquibancada predomina.
O Flu me domina...
As camisas que parecem couraças ou peles.
As nossas cores abrilhantam qualquer estádio.
Gritamos Young Flu até morrer!


Meu coração é envolvido
com a batida da nossa bateria
que incendeia minhas veias.
Meus olhos transbordam
diante de nossas bandeiras.
Estandartes de uma comunhão,
Fluminense e sua torcida.


"Quem fala de nós não sabe o que diz"
Armando,o que fizeste conosco
quando ajuntaste este povo
e criaste esta paixão.


Henrique Rodrigues Soares
Foto de Armando Giesta, fundador desta paixão.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Trajetória


Não proclames tuas palavras
quando a força de uma divina mão
te arrebatar para um centro
invisível e imóvel.


Como o mistério nos campos
de uma semente vingada
serás lançado a uma solidão imensa
mas não a profanes com impropérios
de teus conhecidos fantasmas.
Pode já não ser a angústia,
pode já não ser o tédio
se a alma assume, atemporal, a trajetória.


Fernando Campanella

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Silêncio do Poeta


Não existe mais uma palavra para ser dita
Mais uma frase bombástica para você proferir
Os sonhos se diluíram na TEMPESTADE


Tua alma perdeu a vaidade
a tua língua sagacidade
HÁ TEMPOS tinha visto
o TEMPO PERDIDO desta geração


Cantou... encantou esta LEGIÃO URBANA
Procurou... perdeu-se, pois O EQUILÍBRIO estava DISTANTE
Perguntou QUE PAÍS É ESTE?
Falou de ÍNDIOS, amor e solidão
Falou de MENINOS E MENINAS
Falou de PAIS E FILHOS


Nunca mentiu se achando o dono da PERFEIÇÃO
Apenas queria mostrar o FAROESTE CABOCLO que é este Brasil
Dançou a DANÇA neste MUNDO TÃO COMPLICADO
Esperou ser assassinado pelo silêncio da poesia


Tua morte me dói, como dói...
Pois para mim e para muitos
AINDA ERA CEDO
para você partir.


Henrique Rodrigues Soares - 12/10/1996

Homenagem ao Poeta Renato Russo 27/03/1960 - 11/10/1996.

Foto de Ricardo Siqueira.

domingo, 16 de outubro de 2011

O Poeta de Hoje


Na página branca de uma tela de computador
Em meio à solidão do quarto
Ou aos ares púrpuros da natureza
Os dedos vão teclando palavras
Que saem caladas repleta de sentimento.


O papel sede para um software
A caneta é um teclado,
Tecnologia que aperfeiçoa
Facilitando sem necessidade
De rabiscos e folhas jogadas ao lixo.


Porém a emoção que saem em inspiração
É a mesma tal qual do passado
Que expressa o belo, a sutileza
A alegria, ou a tristeza
Nas lindas poesias
Que saem da alma do poeta
E extravasam em corações
Dos amantes das letras.


Ataíde Lemos

sábado, 15 de outubro de 2011

Certas Palavras


Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.


Entretanto são palavras simples:
definem partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos.


E tudo é proibido. Então, falamos.


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Desejo


Ah! que eu não morra sem provar, ao menos
Sequer por um instante, nesta vida
Amor igual ao meu!


Dá, Senhor Deus, que eu sobre a terra encontre
Um anjo, uma mulher, uma obra tua,
Que sinta o meu sentir;


Uma alma que me entenda, irmã da minha,
Que escute o meu silêncio, que me siga
Dos ares na amplidão!


Que em laço estreito unidas, juntas, presas,
Deixando a terra e o lodo, aos céus remontem
Num êxtase de amor!


Gonçalves Dias

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Receita de acordar palavras


palavras são como estrelas
facas ou flores
elas têm raízes pétalas espinhos
são lisas ásperas leves ou densas
para acordá-las basta um sopro
em sua alma
e como pássaros
vão encontrar seu caminho.


Roseana Murray

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Nós nos amaremos


Nós nos amaremos docemente,
Nesta luz, neste encanto, neste medo:
Nós nos amaremos livremente
No dia marcado pelos deuses.
Nós nos amaremos com verdade
Porque estas almas já se conheciam:
nós nos amaremos para sempre
Além da concreta realidade.
Nós nos amaremos lindamente,
nós nos amaremos como poucos.
no teu tempo.


Lya Luft

Serenata


Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.


Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.


Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.


Cecilia Meireles

domingo, 29 de maio de 2011

Janelas


Em todas as janelas
me debruço,
em todos os abismos
estendo uma corda
e caminho sobre as águas,
subo em nuvens,
galgo intermináveis escadas.
Abro todas as portas
e cavernas com um sopro
ou três palavras mágicas.
Mergulho em torvelinhos,
danço no meio do vento,
pulo dentro da tempestade.
Em cada encruzilhada me sento
e tento arrumar o destino,
estranho castelo de areia.


Roseana Murray

sábado, 28 de maio de 2011

Sob o Céu tão Azul


Sob o céu tão azul que se espiritualiza,
o jardim vai fechar as pétalas das rosas
como alguém que cerrasse as pálpebras medrosas
para ver o que só no sonho se divisa...


Tudo adormece em torno...E a paisagem, mais lisa
que um esmalte, desfaz em sombras vaporosas...
Passam apenas no ar, vêm das moitas cheirosas
perfumes doces, sons de frauta pela brisa...


A noite desce e apaga as cores... E a vida
do jardim silencioso onde as luzes se enfeixam,
sobrevive somente a voz d´água, esquecida.


E sob o céu azul que se prolonga além,
fecham-se as flores, como os olhos, lentos, fecham
para ver o que só no sonho os olhos vêem...


Onestaldo de Pennafort

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Rio do Tempo


A sisudez do tempo não esconde o cansaço,
o desassossego da alma, mas
o lamento das coisas dissolve-se em lembranças,
que ainda guardam a limpidez das águas da infância,
reparando conquistas e derrotas ao redor dos dias.
Memória serena como a dos rios
que seguem eterna viagem para o mar,
mar que também é pura vivência,
sentinela de sonhos,
a guardar os segredos do vento.
Rio e mar são preces a decantar o tempo,
na vigília da memória e das trilhas percorridas,
um ofício íntimo a experimentar maturidades,
que fio por fio vai tecendo um poema de vida.
Não há pranto que aqui se demore,
assim como não há felicidade perene,
mas a vida é assim, esta água cristalina
a escorrer no leito dos rios,
lavando as ruínas deixadas pelo caminho,
espelhando amor de diferentes quimeras.


Sônia Schmorantz

terça-feira, 24 de maio de 2011

Preciso Amar!


Preciso novamente amar...
Amar com versos esquecidos
Preciso encontrar aquele olhar
Antigo e adormecido.


Amar de corpos aquecidos
De suor e odores atrevidos
Beijar perdendo os sentidos
Os limites e a libido.


Preciso novamente amar...
Amar como proibido
Saqueando e sendo perseguido
Comendo e sendo comido
Um lutar e ser vencido.


Amar como enlouquecido
Mar bravio que não pode ser contido
Perdendo respeito pelo temido
Num se pegar que nos deixa combalido.


Preciso Amar... Preciso Amar...
Ressuscitando a pegada do que foi falecido
Reanimando os beijos que estão adoecidos
Reatando os votos prometidos.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sensibilidade


Meu coração,
É um quarto de espelhos,
Que reflete e multiplica,
Infinitamente,
Uma impressão.


É como o eco
Dos longos corredores desertos,
Que repete e amplifica,
Misteriosamente,
Uma palavra.


É como um frasco de perfume raro
Que guardou,
Para sempre,
Um leve aroma da essência que encerrou.


Helena Kolody

domingo, 22 de maio de 2011

Verso em Canção


Talvez mais um sonho se acabe,
Quando o amor que se cala...
Levando um pedaço da alma,
É luz de estrela que apaga!


Os dias são linhas em branco,
O brilho nos olhos se finda,
É quase viver meia vida...
Quando o desejo termina!


Nos vagos minutos dos dias,
Espaços que nada preenche,
Eu tenho somente palavras...
Apenas pra quem compreende!


Eu fiz esse verso em canção,
Apelo suave em meus olhos,
Num eco de meu coração...
Encontro a metade perdida!


Reggina Moon

sábado, 21 de maio de 2011

Soneto de Papel


"Por escrito sou mais do que respiro”
Antônimo de mim, há sinonímias
Em eu querer já não querer mais nada,
Senão a minha ausência de mãos postas.


Por escrito! E a escrever que ninguém pode!
Contudo, que descanso em que pudesse!
A única viagem que é só minha
Mora na asa infinita da palavra!


Há muitas vozes neste vôo e entanto
O meu suspeito coração consegue
Amealhar fortunas de silêncio!


Natureza concreta que rabisco
De almas, à custa de buscar-me um outro
Nos dicionários que anoiteço em mimm...


Homero Frei

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Análise


Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.


Fernando Pessoa

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Recomeçar


Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.


E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.


De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.


És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…


Miguel Torga