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Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

Homem!

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Se a vida te pedir sempre o teu suor, enquanto puderes, com a exaustão do corpo o solo rega! Vês-me? fui sempre assim: se me fatigo, canto, se o meu corpo trabalha, a minh'alma sossega!
Se a vida te pedir ainda o teu sangue, pega do corpo e rasga-o nos espinhos com um santo! O teu sangue e o teu suor de herança à vida lega e viverás feliz como que por encanto!
Vês-me? por que é que vivo ainda, ante o teu espanto? porque me esqueço da alma e dou o corpo à refrega! Mas se a vida pedir-te uma lágrima, nega!
mas nunca dês à vida o suor d'alma que é pranto! Ela não o vê nem ouve, ela é surda, ela é cega a vida e toda, toda em si não vale tanto!...

Attilio Milano - In Todos os Poemas

Declaração

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Declaro ao céu, ser tua, do teu jeito, Desenhando em teu corpo ternura, Desejos que me invadem mil loucura, Por noites mágicas, ao teu leito...
Receberás o meu néctar liquefeito, Dos lábios escarlates com doçura, E a tua boca louca na procura, Do amor, que anseio e não rejeito!
Arrebatados, de prazer embriagados, Seremos dois amantes transformados, Ao delirante verso que componho...
E nas noites mágicas como esta, O Luar lá ao céu faz a sua festa Enfeitando nossos corpos pela fresta!


Efigênia Coutinho

Um Beijo

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Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, batismo e extrema-unção, naquele instante por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, beijo divino! e anseio delirante, na perpétua saudade de um minuto...

Olavo Bilac

Benditos

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Muitas palavras voarão inúteis Pelos espaços dos homens... Chocar-se-ão Nos rochedos da incompreensão E nunca tocarão As metálicas maçanetas Da alma humana. Morrerão asfixiadas Na indiferença. Inúteis... Por isso, Benditos o sorriso e a lágrima, Língua de todas as pátrias, Em todos os tempos. Benditos os homens Que sabem falar, Que deixam falar; Que sabem sorrir, Que fazem sorrir. E mais benditos sejam Aqueles que sabem chorar...

Cladi C.A. Levandowski - In euniverso

Soneto XI

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Tão rápido quanto cresces, assim fenecerás
Em um dos teus de quem te despedes;
E o sangue novo que aos mais novos concedes
Poderás chamar de teu quando deixares a juventude.

Aqui reside a sabedoria, a beleza e o progresso;
Sem isto, há loucura, velhice e decrepitude.
Se todos se importassem, o tempo cessaria,
E em três tempos do mundo ele se despediria.

Deixemos aqueles que a Natureza não preservou,
Duros, amorfos e rudes, morrer sem filhos.
Àqueles a quem ela concedeu a graça, deu mais ainda;
Cujo presente abundante mais deverias prezar;

Ela te esculpiu como símbolo e, por isso,
Mais deverias produzir para não feneceres.



Sonnets XI

As fast as thou shalt wane so fast thou grow'st,
In one of thine, from that which thou departest,
And that fresh blood which youngly thou bestow'st,
Thou mayst call thine, when thou from youth convertest,

Herein lives wisdom, beauty, and increase,
Without this folly, age, and cold decay,
If all were minded so, the times should cease,
And threescore year would make the w…

Vivendo

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Busca-se a vida
Leva-se a vida.

... risonha folha
ao desfolhar-se
... rio desavisado
ao perder-se.

Indefinições
de uma lágrima
nunca formada
de um desejo
nunca afirmado
ou
de um sonho
de um sonho sonhado
mas nunca realizado.

Vida
deus ou fantasma
pensamento embaralhado
imaginação vazia
claridade e escuridão
comodidade ou desencontro
Tolerância apenas ...


Alvina Nunes Tzovenos - Palavras ao Tempo

Silêncio

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Para caminhar sobre a delicada ponte que leva aos olhos do outro, todo silêncio é pouco.
Para ouvir a música que se desprende de todas as coisas belas, todo silêncio é pouco.
Para sentir na pele o veludo de um jardim, quando a noite envolve o mundo em sua rede de estrelas, todo silêncio é ouro...
Para entender, palavra por palavra, a voz que vem do coração, todo o silêncio é pouco.

Roseana Murray

Amor Vivo

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Amar! Mas d'um amor que tenha vida... Não sejam sempre tímidos harpejos, Não sejam só delírios e desejos D'uma doida cabeça escandecida...
Amor que viva e brilhe! Luz fundida Que penetre o meu ser - e não só beijos Dados no ar - delírios e desejos - Mas amor...dos amores que tem vida...
Sim, vivo e quente! E já a luz do dia Não virá dissipá-lo nos meus braços Como névoa da vaga fantasia...
Nem murchará do sol a chama erguida ... Pois que podem os astros dos espaços Contra uns débeis amores...se têm vida?


Antero de Quental

Semelhanças

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Somos a mistura proibida por termos a essência parecida, por pertencermos ao mesmo pecado e nos confundirmos quando postos lado a lado. Mas, polos positivos que se contatados queimarão o que é direito e se desmancharão. Números primos de perfeito resultado. Somos só tendência, programação. E esses desejos não resolvidos, safados, pulsantes, bandidos, vão se amadurando conosco a cada instante, só nos tornando cada vez mais parecidos.

Flora Figueiredo - In Florescência

E por que nós?

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Dentro de todos nós há uma casa vazia escura ou clara translúcida de vida e morte cheirando memórias de tempo.
Dentro de todos nós há uma casa vazia . . .
de pranto e de paz e de luz de risos e de tardes plenas de azul.
Dentro de todos nós há uma casa vazia . . .
quando os braços da noite dizem das coisas vividas e falam com olhos de menino travesso como se caracóis e caretas de palhaço enfeitassem nossos desenganos.
Dentre de todos nós há sempre uma casa vazia . . .


Alvina Nunes Tzovenos

Do último poema

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sem tantas palavras
mas uma infinidade de sensações
sem tanto adeus 
mas um para sempre
recheado de agoras 
antes a vida não era
apenas passava
agora a vida é sempre
abraço o que vier
passo quando o beijo do já
infinita a vida
saboreio o íntimo pulsar do mundo 
em lugar da triste espera
infinitei a alegria de amar
sem tantas palavras
e sem nenhuma explicação
a poesia faz morada no silêncio 
faz ninho de maravilhas na pele
depois desse poema
não te direi mais nada
as maravilhas são pássaros 
que voam na alegria de voar
enquanto o amor é o ar, o sol, o céu 
que permite voarem as maravilhas


Luiza Maciel Nogueira

Soneto X

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Envergonha-te de negar que não ames,
Tu que és tão imprudente;
Aceita, se quiseres, ser amada por tantos,
Mas é certo que não ames ninguém;

Pois tens um ódio tão mortal,
Que apenas contra ti mesma não conspiras,
Buscando arruinar este nobre teto,
Que tanto desejas consertar:

Ah, muda teu pensamento que mudarei o meu!
Deve o ódio ter mais reservas do que o amor?
Sê como tua presença, gentil e graciosa;
Ou a ti, ao menos, te proves amável,

Sê outra pelo amor que tens por mim,
Para que a beleza continue a viver em ti.



Sonnets X

For shame deny that thou bear'st love to any
Who for thy self art so unprovident.
Grant if thou wilt, thou art beloved of many,
But that thou none lov'st is most evident:

For thou art so possessed with murd'rous hate,
That 'gainst thy self thou stick'st not to conspire,
Seeking that beauteous roof to ruinate
Which to repair should be thy chief desire:

O change thy thought, that I may change my mind,
Shall hate be fairer lodged than gentle love?
Be as thy presence is gr…

Vulcões

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Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal Não tem a lividez sinistra da montanha Quando a noite a inunda dum manto sem igual De neve branca e fria onde o luar se banha.
No entanto que fogo, que lavas, a montanha Oculta no seu seio de lividez fatal! Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha A fria neve envolve em seu vestido ideal!
No gelo da indiferença ocultam-se as paixões Como no gelo frio do cume da montanha Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…
Assim quando eu te falo alegre, friamente, Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!


Florbela Espanca

A tua luta interior

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Se procuras aquilo que queres sentir,
Talvez encontres o que julgas ser real.
Tantas coisas que não quiseste admitir,
O que irás encontrar? O bem ou o mal?

Uma luta interior na tua prisão,
Pressiona-te, obriga-te a mudar.
Pode ser a tua ruína, teu caixão.
Assumes fantasias, para te salvar.

Então afinal quem serás tu? Mas que raio… 
Hipócrita! Lutarás contigo mesmo.
Foste tu que escreveste o teu destino.

Assume as tuas fraquezas. Não és lacaio!
Purifica-te, afasta-te do abismo.
Selaste o teu caixão. Sai desse inferno!



Vasco de Sousa

Pergunta-me!

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Pergunta-me se ainda és o meu fogo se acendes ainda o minuto de cinza se despertas a ave magoada que se queda na árvore do meu sangue
Pergunta-me se o vento não traz nada se o vento tudo arrasta se na quietude do lago repousaram a fúria e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me se te voltei a encontrar de todas as vezes que me detive junto das pontes enevoadas e se eras tu quem eu via na infinita dispersão do meu ser
se eras tu que reunias pedaços do meu poema reconstruindo a folha rasgada na minha mão descrente
Qualquer coisa pergunta-me qualquer coisa uma tolice um mistério indecifrável simplesmente para que eu saiba que queres ainda saber para que mesmo sem te responder saibas o que te quero dizer


Mia Couto

E o Vento Levou

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... em seu bojo pesado
de sóis e luas desfeitas
todas as máscaras de sonhos.

... no seu vestido cor de rosa
mais rosa que todas as rosas
a beleza branca de todas as horas.

... da ramagem crespa das folhas
folhas de ilusões
que se misturam
e tingem de gritos negros
a esperança dos que esperam.

... roubando um ar nostálgico
(ao ser o pior dos ladrões)
das manhãs poéticas
quando usam sandálias
da cor das lágrimas
da cor ao longe
dos barcos que partem.

Alvina Nunes Tzovenos - in Palavras ao Tempo
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o mar lateja murmúrios
depósitos de séculos
sereias de harpas poluídas
garrafas pet de escamas
espermas bóiam filhos invisíveis
um fêmur de cavalo parece leve
no ritmo azul martelando na areia
como fosse um cão de escumas e algas
o mar morde artelhos e o mergulho do atleta
e ainda sofre o abuso das gaivotas
bicando seu dorso selvagem

Carlos Orfeu

Dualidade

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Sei que é Amor, meu amor...porque o desejo o meu próprio desejo tão violento, dir-se-ia ter pudor, ter sentimento, quando estás junto a mim, quando te vejo.
É um clarim a vibrar como um harpejo, misto de impulso e de deslumbramento. Sei que é Amor, meu amor...porque o desejo é desejo e ternura a um só momento.
Beijo-te a boca, as mãos, e hei de beijar-te nessa dupla emoção, (violento e terno) em que a minha alma inteira se reparte.
- e a perceber em meu estranho ardor, que há uma luta entre o efêmero e o eterno, entre um demônio e um anjo em todo Amor!


J. G. de Araujo Jorge

Versos Simples

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Sabe, já faz tempo
Que eu queria te falar
Das coisas que trago no peito

Saudade, já não sei se é
A palavra certa para usar
Ainda lembro do seu jeito

Não te trago ouro
Porque ele não entra no céu
E nenhuma riqueza deste mundo

Não te trago flores
Porque elas secam e caem ao chão
Te trago os meus versos simples
Mas que fiz de coração


 Cassiane Silva / Richardson Maia - Chimarruts