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Mostrando postagens de Abril, 2010

Sob o Ritmo do Tempo

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A areia, grão a grão, escoa na ampulheta...
Sob o ritmo do tempo, em silêncio medito:
Ai de quem, a sofrer, passou pelo planeta
Sem realizar o seu instante de infinito!


A água cai, gota a gota, a oscilar na clepsidra...
Atento ao seu rumor, penso inquieto e tristonho:
Ai de quem não arou com pranto a terra anidra,
Para atirar ao mundo a semente de um sonho!


A sombra leve azula a pedra do quadrante...
Cismo, absorto, a seguir-lhe o tardo movimento:
Ai de quem, a viver como uma sombra errante,
Não roçou pelo céu a asa de um pensamento!


Da Costa e Silva

Carta Poética para Amiga Reggina Moon

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Os teus blogs são um sereno lugar
em que mergulho meus versos
em que mergulho meu olhar
e colho as cores dos sentimentos.
São um vaso de flores
aonde estão os que são escolhidos
pela jardineira que rega os seus seguidores.


Um mundo de poesia
onde desde a dor, solidão e melancolia
esbarram com a mais fina alegria.
Pleno lago onde habita seres vivos
e lembranças de reflexões mortas.


"Versi D'Amore", " Verso & Prosa"
"Poesia no Tempo"
Estrelas de um firmamento.
E o meu "Pecado Poético"
para destilar minha ousadia.


Henrique Rodrigues Soares - O que é a Verdade?

A minha vida é um barco abandonado

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A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?


Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.


Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.


Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.


Fernando Pessoa

O Haver

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Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...


Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.


Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.


Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.


Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.


Resta essa vontade de chorar dian…

Arte

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Poemas são palavras e presságios,
pardais perdidos sem direito a ninho.
Poemas casam nuvens e favelas
e se escondem depois no próprio umbigo.
Poemas são tilápias e besouros,
ar e água à beira de anzóis e riscos.
São begônias e petúnias,
isopor ou mármore nas colunas,
rosas decepadas pelas hélices
de vôos amarrados ao chão.
Cinza do que foi orvalho,
poema é carta fora do baralho,
milharal pegando fogo
pelo berro do espantalho.


Antonio Carlos Secchin

Mudanças

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Tão triste que parece que nunca sorriu
Tão puro que parece que nunca mentiu
Tão seco que parece que nunca floriu


Com rosto impávido e resoluto
Com silêncio natural de um luto
Com o nascer de nada sem fruto


Sem sonhos, de uma certeza vacilante
Sem desejos, de uma imobilidade cativante
Sem ânimo,de olhar cansado e distante


II
Sorriu, e pra sempre esqueceu a tristeza
Mentiu pra verdade como pureza
Floriu com indúbita beleza


Absoluto e brilhante ficou seu rosto
Alegria irradiou matando o desgosto
Tão vivo de frutos e brotos


Sonhou, com olhos constantes
Desejou como encontrar diamantes
Animou-se, ao marcar um horizonte.


Henrique Rodrigues Soares - O que é a Verdade?

Escapismo

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Tristezas podem ficar caladas.
É só não puxar por elas.
Enquanto dormem,
abastecemos a barca de sonhos,
aquietamos o rio das indagações.
Quando a tristeza acordar pálida
do pó de seus porões,
é nossa vez de descansar.
O ponteiro do desencontro torna possível
navegar.


Flora Figueiredo

Entrega

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Desintegro-me desarvorada
entre escapes dos teus versos
extraídos de odes,
surgidos do amor


Ungida sou
com o bálsamo da tentação
que me desfolha,
desatando ao ocaso
meu destino inconfessado


Assim prescrevo poemas,
enfeito saudades incandescidas
com inconstâncias e entraves,
dimensões de minhas fantasias,
anéis de imaginações


Ouço tuas vontades
expostas na língua dos anjos
feito constelações de murmúrios
num resto de palavras distorcidas


Conceição Bentes

Depois da Chuva

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Depois da chuva vem o céu de prata
a iluminar os caminhos molhados,
a imagem poeticamente cinza dos
pássaros esvoaçando em galhos nús,
e as nuvens se arrastando com o vento.


Depois da chuva, brota a poesia
das calçadas molhadas,da terra lavada,
do capim cheiroso de beira de estrada,
Empresta um sonho perfeito,
planta sementes de poesia.


A chuva que atravessa a paisagem
deixa cair amarras e passa por mim,
abre as secretas janelas para ler
os mudos poemas tamborilando
nas calçadas.


Sônia Schmorantz

En la niebla

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¡Qué extraño es vagar en la niebla!
En soledad piedras y sotos.
No ve el árbol los otros árboles.
Cada uno está solo.

Lleno estaba el mundo de amigos
cuando aún mi cielo era hermoso.
Al caer ahora la niebla
los ha borrado a todos.


¡Qué extraño es vagar en la niebla!
Ningún hombre conoce al otro.
Vida y soledad se confunden.
Cada uno está solo.


Hermann Hesse

Soneto

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Estamos sós... Embora o ventre e o peito,
à vida oferecessem seu alento.
E fosse o fruto amado e bem aceito...
Fosse o carinho sem comedimento.


Estamos sós.. O que foi tão mal feito,
causamos, nós, tamanho rompimento?
Se nosso coração é amor-perfeito,
que abriga, acolhe, cuida... Sem lamento?


Se os filhos são a bênção do Senhor,
heranças vindas do divino amor...
Adultos... Nos contemplam com frieza?


Por quê já não mais lembram do acalanto,
que deles foi o riso e foi o pranto...
Por quê nos abandonam à tristeza?


Patrícia Neme