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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem




















Ardor em firme Coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:


tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal, em chamas derretido.


Se és fogo, como passas brandamente,
se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!


Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.


Gregório de Matos Guerra
Tela de Alexey Zaycev  - Site Open ArtGroup

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