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Mostrando postagens de Julho, 2015

Nocaute

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Longamente golpeado Acuado, meio a escuridão. De meus olhos em sangue Sonhos com hematomas Respiro o fundo do chão E não tenho mais forças...

Reagir, deveria ser assim Mas diante dos sintomas Está vivo ou está morto? Qual a diferença? Quebraram até os pedaços E não restou mais nada...

Restou sim, restou seqüelas. Uma visão sem sonhos, turva. Com respiração dolorida Em meio à natureza colorida Sou um silêncio em branco.

Henrique Rodrigues Soares
06/02/2012
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amo esse ponto incessante
de loucura que nos aproxima
e nos distancia da normalidade
artificializada na cegueira plástica
da beleza crucificada no vazio
que rege as máquinas condenadas
dançamos livres de leis e conceitos
dançamos enlouquecidos e incendiados
unimos os horizontes de nossos lábios
o desejo que se constrói
nesse louco sentir é a certeza
desenvergonhada de viver
Carlos Orfeu

Tange o Sino

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Tange o sino, tange
Tange doloroso.
Cai como quer um alfange
No meu sonhar de gozo...
E o sino tange, tange
Lento e ao longe amoroso.
E tange e plange ao longe
Aérea melodia...
Cada som é um monge
Na sua alva fria...
Tange o sino de bronze
No escurecer que esfria.
E em mim também
A tarde do meu ser
E plange em mim, na lonjura
Do meu vago esquecer
Um sino ao longe, a agrura
De me saber ser.
Fernando Pessoa
In Poesia - 1902-1917

CANÇÃO DE ESTAR EM TERRA

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Da sede meu amor farei um barco.
Uma vela no porto. E ao vê-la perto
eu direi meu amor que por ti parto
e fico e firo e faço e sigo e ardo.

Direi a rosa o cravo o trevo o cardo.
Darei o corpo, amor. Direi um astro.
Ai flor de quem está farto farto farto
de rimar contra a maré em pinho incerto.

Que mais direi amor? Eu que maldigo
eu que mal amo as coisas conquistadas
que mais direi? Anéis corais espadas?
Já mal me há-de bastar o que eu não digo.

É aqui, de bruços sobre a espuma
que o mar nos causa a dor de estar em terra.
E as palavras nos doem uma a uma.
E os homens em Lisboa fazem guerra.


Joaquim Pessoa

Signo

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A respiração de novembro e de sua véspera
(outubro) arde-me não no cérebro
nem no ombro
mas – anel de fogo – nas ancas
e nas entranhas.
Em ti eu amo os amores todos.
Eu não podia aceitar isto
mas aceito agora. A vida
não cessa, é eterno continuar.
Por mais que se queira
o ávido sangue não será saciado.
A tarde é quem está bebendo este desejo
conivente com a violência
da patada da fera amada.
E numa noite de novembro
é que fiquei pronta para a vida
ao ver o mar refletido no teu corpo
e ao meu rosto assomar todo o desastre.
Olga Savary, em "Magma". São Paulo: Massao Ohno; Roswitha Kempf, 1982.

A emigração dos poetas

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Homero não tinha morada
E Dante teve que deixar a sua.
Li-Po e Tu-Fu andaram por guerras civis
Que tragaram 30 milhões de pessoas
Eurípides foi ameaçado com processos
E Shakespeare, moribundo, foi impedido de falar.
Não apenas a Musa, também a polícia
Visitou François Villon.
Conhecido como “o Amado”
Lucrécio foi para o exílio
Também Heine, e assim também
Brecht, que buscou refúgio
Sob o teto de palha dinamarquês.

Die Auswanderung der Dichter:
Homer hatte kein Heim
Und Dante mußte das seine verlassen.
Li-Po und Tu-Fu irrten durch Bürgerkriege
Die 30 Millionen Menschen verschlangen
Dem Euripides drohte man mit Prozessen
Und dem sterbenden Shakespeare hielt man den Mund zu.
Den François Villon suchte nicht nur die Muse
Sondern auch die Polizei.
“Der Geliebte” genannt
Ging Lukrez in die Verbannung
So Heine, und so auch floh
Brecht unter das danische Strohdach.
Bertolt Brecht: Gesammelte Werke in 20 Bänden (8-10), Suhrkamp Verlag, Frankfurt am Main, 1967. Poemas 1913-1956, Bertolt Brecht, [seleção e…

Para Sempre

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Por que Deus permite 
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, em 'Lição de Coisas'.

Amor Adiado

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Desenhou, com traço fino,
num papel de seda perfumado,
as palavras mais bonitas
dos sentimentos mais secretos
existentes em si,
como homem apaixonado.

Esmerou-se na linguagem cuidada,
usando imagens maravilhosas
e, para bem completar a mensagem,
redigiu um pequeno poema,
onde cantava hinos à vida,
por amar e ser amado!

Falou do Sol e do sal da sua sede!
Falou do mal e do mel do seu amor!
Falou de flores e de beijos mordidos!
Falou deles, como de cristais
ou como de cerejas no ramo!

Terminou com beijos e saudades,
saudades e beijos!
Dobrou o papel cuidadosamente
e, tremendo, guardou-o na gaveta,
junto aos muitos outros…
e, uma vez mais, fechou-a...

Vitor.C

Mendigo Morto

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Foram encontrá-lo morto,
Hirto e rijo como um pau;
Toda aquela escura noite
O vento soprava mau,
Caíra neve, e o granizo
Fundia pelo chão liso.
Deitado sobre umas pedras ,
Foram encontrá-lo morto
Ao raiar da madrugada
Como os barcos naufragados
Quando partem as amarras…
Na terra, fundo, cravados,
Seus dedos lembravam garras!
Foi sob a mina do Enxidro:
Tinha os olhos muito abertos,
Tristes como os céus desertos…
E, dentre a barba cerrada,
Uma lágrima gelada
Como uma conta de vidro.
Fausto José, Obra do poeta Fausto José. Vol. I. – Armamar: Câmara Municipal, 1999.

À noite ser [materiais para...]

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dedos quietos que crescem
pele nua
brincadeiras com o amor
pêndulo solto de sonhos
lógicas sacudidas
olhar de só-assim
modos de chegar como sementes
manobras de artesão contra o ego
desafio do «eu»
nudez de pele
de mãos
e (sob os teus olhos)
invenção de um sólido espanador de tristezas.
Ondjaki (01.04.03), em "Materiais para a confecção de um espanador de tristezas". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.

Fluminense Football Club

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Sou tricolor de coração 
Sou do clube tantas vezes campeão 
Fascina pela sua disciplina 
O Fluminense me domina 
Eu tenho amor ao tricolor 
Salve o querido pavilhão 
Das três cores que traduzem tradição 
A paz, a esperança e o vigor 
Unido e forte pelo esporte 
Eu sou é tricolor. 

Vence o Fluminense 
com o verde da esperança 
Pois quem espera sempre alcança 
 Clube que orgulha o Brasil 
Retumbante de glórias e vitórias mil. 

Vence o Fluminense 
com o sangue do encarnado 
Com amor e com vigor 
Faz a torcida querida vibrar com emoção 
o Tricampeão. 

Vence o Fluminense 
Com amor e fidalguia 
Branco é paz e harmonia 
Brilha ao sol da manhã 
ou à luz do refletor 
Salve o tricolor.

Lamartine Babo




















Desde que nasci
te acompanhei
Fluminense eu sei
até minha morte
contigo estarei

Amigos

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Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes…

PELAS RUAS DE PÉ-DE-MOLEQUE

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Pela ampulheta do tempo
a gente marca o nosso trampo
Ao cruzar da ponte, as ruas de pedra
encenam que a poesia pode ser perpétua O mesmo tempo
que se diz infinito
pra chegar demora tanto
e quando vem passa tão rápido Nesse intervalo a gente age
Cortejo hoje é tudo aquilo que nos torna leve
É o nosso passo
pelas ruas de pé-de-moleque Para te dizer
que um dia vale por um ano
Não há agasalho
contra a força do calor humano Alan salgueiro Rascunhos de revolução

O que é a loucura?

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O que é a loucura?
Um estado de espírito
Um desprender-se da alma,  Um desvencilhar da calma 
O que é a loucura?

Se sentir perseguido,  Um fugitivo do mundo,  Um sem lugar na ordem da razão 
O que é a loucura? 
Não reconhecer quem se ama  Não se amar  Despertar de manhã e não entender  Quem é aquele rosto no espelho  Quem é o homem por trás da máscara  Que se confunde, horas com o ilustre,  Horas com o ladrão, o sem teto, o seu próprio irmão 
O que é a loucura, 
Ser Napoleão ou lixeiro  Médico ou pedreiro

Afinal, o que é a loucura?

Talvez um surto de momento ou  Mesmo uma vida inteira de sofrimento 
A verdade é que não dá para explicar  Nem todo o dicionário poderia nos ajudar  A loucura, só nos resta entendê-la,  Aprecia-la e acolhe-la com se faz com um grande amor 
Se não podemos amá-la,  Nos resta ao menos respeita-la  Dar a quem possui o sentimento quase louco  Da compreensão, da compaixão 
Aos que chamam de louco, o meu respeito  Aos reconhecidos normais, o meu pedido:  Respeite…

O dorso sob a luz o ar os dedos

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a pele intensa de suor e fogo
o mar a primavera rompe o dorso
nocturno sob o fogo.
o dorso sob
um beijo a electricidade fria da noite
lábios subindo a encontrar o corpo
suor e água pó
humedecendo o dorso
o sentido da carne o frio
o rio aberto
vector
o dorso o olhar o fogo
o dorso todo humedecendo o beijo
Gastão Cruz, (Portugal 1941). em "Poemas".

Meu Epitáfio

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Morta... serei árvore 
Serei tronco, serei fronde
E minhas raízes
Enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.
Enfeitei de folhas verdes
A pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.
Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos.

Cora Coralina, em "Meu livro de cordel". São Paulo: Global Editora, 1998.

Para mulher que fica

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Cantar a mulher que passa É fácil... Eu canto a mulher que fica Pois no teu amor esqueço minhas tristezas.

Ontem, te amei com fome antiga. Avistei tua carne como novidade Teus seios tão poucos Enchem minha visão.

Tua nudez uma pintura sem esboço São absorvidos para minha memória Devagar caminho por teu corpo Não tenho pressa...  Revivo estórias!

Não uso mapas para achar teus segredos Subo e desço montanhas e vales E derramo desejos. Com gosto degusto o gosto do teu beijo E encontro paz nos teus Andes.

Henrique Rodrigues Soares
20/01/2012.

Porque o fim de um caminho

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Porque o fim de um caminho sempre me entregou
o limiar de outro caminho,
o verde de um campo ou de um corpo adolescente,
espero que regresse à minha voz
a luz que no primeiro dia a fecundou
e a terra que é o contorno dessa luz.
Porque espero ver crescer minhas mãos dessa terra
e de minhas mãos a água necessária à minha sede,
ergo de mim a noite residual do que vivi
e canto,
canto provocando a madrugada.
Porque outros entoarão meu requiem e outros cerrarão
minha pálpebras para defender meus olhos de suas lágrimas,
deixo essa glória aos outros
- e exalto o meu nascimento
e cada dia em que renasço e procuro
a boca ou o fruto onde se reflictam os meus lábios.
Porque, harmonizando-se no sangue o fogo e a água,
eu sou o fogo e a água:
por mim os cadáveres e quanto é feito de matéria dos cadáveres
libertar-se-ão em chamas, serão claridade
e chegarão a pão pela dádiva das cinzas,
a última dádiva, a total.
José Bento, em "Rosa do Mundo-2001 Poemas para o Futuro".

ABRAÇO GRÁTIS

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Que seja o abraço
a quebra do gelo
a expressão gratuita
de um afeto comedido

Comutatividade da energia
celebrada em um encontro
Colisão frontal da troca
que não traz abalo

E que seja belo
atitude plena
provocar o abraço

Que seja abrigo
uma espécie de caverna
e atenue nosso inverno
e que venha forte, farto
e que não haja abraço morno

A conexão mais fácil que se considere
anterior ao wi-fi, bluetooth ou SMS
Injeção de ânimo, não se cansa
pra que a esperança seja a casa do abraço


Alan Salgueiro Rascunhos de Revolução

Velho Tema

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Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.


O eterno sonho da alma desterrada
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.


Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,


Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.



Vicente de Carvalho

Entre a fé e a ansiedade

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A dor de um choro contido Lágrimas internas pela alma Sonhos sólidos agora derretidos E o momento pede calma

O eu atônito e disperso Esperando ser iluminado Sair do sonho imerso Que tem me esfacelado

A cabeça tonta dói Sem entender o que esperar A dúvida afronta, corrói. Deus manda confiar

Fé pequena de mostarda Acredita com medo de afundar A hora que já tarda Não posso me esgotar.

Henrique Rodrigues Soares 02/08/2011. p>

Poetas...

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Ai almas dos poetas
Não as entende ninguém,
São almas de violeta
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca

Escolha de túmulo

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Onde os cavalos do sono
batem cascos matinais.
Onde o mundo se entreabre
em casa, pomar e galo.
Onde ao espelho duplicam-se
as anêmonas do pranto.
Onde um lúcido menino
propõe uma nova infância.
Ali repousa o poeta.
Ali um voo termina,
outro voo se inicia.

José Paulo Paes, em "Prosas Seguidas de Odes Mínimas".

Fim-do-começo-do-fundo

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Deixo-me
tenho os passos apressados
meto-me para o fim do mundo
e chego ao começo de mim
Bebo-me
até esvaziar-se todo o líquido
eu sou um fim que espera a desiludida
verdade do fundo dos copos
(ó quão inútil é o fim ou o fundo
das coisas e do âmago, quando
o ser temeroso se nos impõe
seu vulto fantasmagórico).
Rogério Generoso, em "Noumenon". 2010.

Bolor

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Os versos
que te digam
a pobreza que somos
o bolor
nas paredes
deste quarto deserto,
os rostos a apagar-se
no frémito
do espelho
e o leito desmanchado
o peito aberto
a que chamaste
amor

Carlos de Oliveira. Trabalho poético. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003.