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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

Pedagogia

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Entre o aprendizado do dia a dia Libertando no ensino do humanismo Dividindo conosco os conceitos e a magia De quem educa sem egoísmo.

Fazendo leve até a burocracia Das avaliações e preenchimentos E do mar do conhecimento Nos orientando com ousadia

Pelo seu compartilhar somos agradecidos A disposição daquele que ama o que faz Não esperando ser reconhecido O que já foi feito, e do que é capaz.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos
Para Cíntia Veronezi Louredo de Souza

TUDO COMBINADO

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Combinei com as cortinas
pra que elas se abrissem
e interagissem fazendo teatro
com os seus olhos, num final de tarde
pra que o pôr-do-sol fosse
o principal dos atos e o alaranjado
refletido feito
lentes de contato
em contraste
aos teus semi-verdes
naturais verdades Combinei com as pedras
para que guardassem segredos
Pedi que fossem todas observadoras
como aquelas que espiam do alto
as águas que tentam furá-las
como se as alas abrissem
o caminho de um sonhador
e a gente chegasse sem escorregar
no topo do Arpoador Combinei com a rotina
o tempo e o roteiro
pra que não houvesse
nenhum imprevisto
e se acontecesse isso
de usar o improviso
que você gostasse
e que a gente gastasse o beijo
até os corpos ficarem fartos
em puro desgaste físico Combinei com o acaso
que a gente combinaria
ao menos num fim de semana
ainda que fosse único
que houvesse consensos e sonhos
que houvesse turismo e descobertas
que não houvesse coberta
e que os ventiladores testemunhassem
nosso sono conjunto
Alan Salgueiro

Saudade em prosa

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Quão tudo fostes o tempo conjugado,
e cada que versos de pausa em desatino.
Contigo eu era bem mais que uma frase,
beijando teu rosto canto a que de límpido.

O carinho que ficou como saudade,
o poema que robustece em caderno.
Se qual relação a que renasce,
do aflora que parte semblante épico.

E jamais esquecerei aquele canto,
teus passos de glória em universo afável.
Teus seios magnos que brando,
tua alma de silêncio imensurável.


Daniel Muzitano

Retrato do artista quando coisa

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A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

O Homem Público n°1

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Tarde aprendi bom mesmo  é dar a alma como lavada. Não há razão  para conservar este fiapo de noite velha. Que significa isso? Há uma fita  que vai sendo cortada deixando uma sombra  no papel. Discursos detonam. Não sou eu que estou ali de roupa escura sorrindo ou fingindo ouvir. No entanto também escrevi coisas assim, para pessoas que nem sei mais quem são, de uma doçura venenosa
de tão funda.

Ana Cristina Cesar

Cada pingo da chuva que cai

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cada pingo da chuva que cai
é um grito de liberdade
da natureza a luzir entretantos
tantos mares em gotas caem do céu
que foi sol, foi nuvem, foi pássaro
e é e será ainda mais
infinitamente (e quando a chuva cessa
cada pingo se torna mar na alma da gente)

Luiza Maciel Nogueira

Soneto Sentimental à Cidade de São Paulo

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Ó cidade tão lírica e tão fria! 
Mercenária, que importa - basta! - importa 
Que à noite, quando te repousas morta 
Lenta e cruel te envolve uma agonia 


Não te amo à luz plácida do dia 
Amo-te quando a neblina te transporta 
Nesse momento, amante, abres-me a porta 
E eu te possuo nua e fugidia. 


Sinto como a tua íris fosforeja 
Entre um poema, um riso e uma cerveja 
E que mal há se o lar onde se espera 


Traz saudade de alguma Baviera 
Se a poesia é tua, e em cada mesa 
Há um pecador morrendo de beleza?


Vinicius de Moraes

Filigrana

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A tênue luz
Do poste
De iluminação pública
Como se viesse
Da antiguidade
Greco-romana
Trespassa
A planta do vaso
Da varanda
Projetando na parede
Rica filigrana

Cada particularidade
Cada detalhe
Cada minudência
Da fictícia
Ourivesaria
Encanta-me
Põe-me em estado
De graça
( Faz-me pensar: Lá
Como seria?)

Zélia Guardiano

O Canto do Galo

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Eu reconheço você Que entre seus dedos Tem um baseado apertado Eu me vejo em você Com tantos segredos E sonhos abandonados

Eu entendo você Cansado do medo Ocioso e pesado Eu acho você Com ar de azedo Horizontes calados

Eu assisto você No drama de Pedro De ter se negado Eu questiono você Que prefere o enredo De seu quartinho fechado

Eu xingo você Com palavras e dedos Por ficar aí, parado! Eu esqueço você Com seus arremedos E seus pecados.

Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos
Setembro 2015

Disputed

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1 petroleum is harmless, except for the trace of poverty it leaves behind 
on that day, when the faces of those who discover another oil well go dark,  when life is blown into your heart to extract more oil off your soul  for public use..  That.. is.. the promise of oil, a true promise. 
the end.. 
2 it was said: settle there.. but some of you are enemies for all  so leave it now
look up to yourselves from the bottom of the river;  those of you on top should provide some pity for those underneath..  the displaced is helpless,  like blood that no one wants to buy in the oil market! 
3 pardon me, forgive me for not being able to pump more tears for you for not mumbling your name in nostalgia.  I directed my face at the warmth of your arms  I got no love but you, you alone, and am the first of your seekers. 
4 night,  you are inexperienced with Time lacking r

Congresso Internacional do Medo

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Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas


Carlos Drummond de Andrade
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É melhor tentar e falhar 
que ocupar-se em ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão, que nada fazer. 
Eu prefiro caminhar na chuva 
a, em dias tristes, me esconder em casa. 
Prefiro ser feliz, embora louco, a viver em conformidade. 

Mesmo as noites totalmente sem estrelas 
podem anunciar a aurora de uma grande realização. 
Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, 
eu ainda plantaria a minha macieira.

O ódio paralisa a vida; 
o amor a desata. 
O ódio confunde a vida; 
o amor a harmoniza. 
O ódio escurece a vida; 
o amor a ilumina. 
O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo...


Martin Luther King Jr.