Pedagogia






















Entre o aprendizado do dia a dia
Libertando no ensino do humanismo
Dividindo conosco os conceitos e a magia
De quem educa sem egoísmo.


Fazendo leve até a burocracia
Das avaliações e preenchimentos
E do mar do conhecimento
Nos orientando com ousadia


Pelo seu compartilhar somos agradecidos
A disposição daquele que ama o que faz
Não esperando ser reconhecido
O que já foi feito, e do que é capaz.



Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Para Cíntia Veronezi Louredo de Souza

TUDO COMBINADO


Combinei com as cortinas
pra que elas se abrissem
e interagissem fazendo teatro
com os seus olhos, num final de tarde
pra que o pôr-do-sol fosse
o principal dos atos

e o alaranjado
refletido feito
lentes de contato
em contraste
aos teus semi-verdes
naturais verdades

Combinei com as pedras
para que guardassem segredos
Pedi que fossem todas observadoras
como aquelas que espiam do alto
as águas que tentam furá-las
como se as alas abrissem
o caminho de um sonhador
e a gente chegasse sem escorregar
no topo do Arpoador

Combinei com a rotina
o tempo e o roteiro
pra que não houvesse
nenhum imprevisto
e se acontecesse isso
de usar o improviso
que você gostasse
e que a gente gastasse o beijo
até os corpos ficarem fartos
em puro desgaste físico

Combinei com o acaso
que a gente combinaria
ao menos num fim de semana
ainda que fosse único
que houvesse consensos e sonhos
que houvesse turismo e descobertas
que não houvesse coberta
e que os ventiladores testemunhassem
nosso sono conjunto


Alan Salgueiro

Saudade em prosa
















Quão tudo fostes o tempo conjugado,
e cada que versos de pausa em desatino.
Contigo eu era bem mais que uma frase,
beijando teu rosto canto a que de límpido.

O carinho que ficou como saudade,
o poema que robustece em caderno.
Se qual relação a que renasce,
do aflora que parte semblante épico.

E jamais esquecerei aquele canto,
teus passos de glória em universo afável.
Teus seios magnos que brando,
tua alma de silêncio imensurável.


Daniel Muzitano

Retrato do artista quando coisa



















A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.


Manoel de Barros

O Homem Público n°1



















Tarde aprendi
bom mesmo 
é dar a alma como lavada.
Não há razão 
para conservar
este fiapo de noite velha.
Que significa isso?
Há uma fita 
que vai sendo cortada
deixando uma sombra 
no papel.
Discursos detonam.
Não sou eu que estou ali
de roupa escura
sorrindo ou fingindo
ouvir.
No entanto
também escrevi coisas assim,
para pessoas que nem sei mais
quem são,
de uma doçura
venenosa

de tão funda.


Ana Cristina Cesar

Cada pingo da chuva que cai


cada pingo da chuva que cai
é um grito de liberdade
da natureza a luzir entretantos
tantos mares em gotas caem do céu
que foi sol, foi nuvem, foi pássaro
e é e será ainda mais
infinitamente
(e quando a chuva cessa
cada pingo se torna mar na alma da gente)


Luiza Maciel Nogueira

Soneto Sentimental à Cidade de São Paulo


















Ó cidade tão lírica e tão fria!
Mercenária, que importa - basta! - importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia

Não te amo à luz plácida do dia
Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e fugidia.

Sinto como a tua íris fosforeja
Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal há se o lar onde se espera

Traz saudade de alguma Baviera
Se a poesia é tua, e em cada mesa
Há um pecador morrendo de beleza?


Vinicius de Moraes

Filigrana















A tênue luz
Do poste
De iluminação pública
Como se viesse
Da antiguidade
Greco-romana
Trespassa
A planta do vaso
Da varanda
Projetando na parede
Rica filigrana


Cada particularidade
Cada detalhe
Cada minudência
Da fictícia
Ourivesaria
Encanta-me
Põe-me em estado
De graça

( Faz-me pensar:

Como seria?)


Zélia Guardiano

O Canto do Galo


















Eu reconheço você
Que entre seus dedos
Tem um baseado apertado
Eu me vejo em você
Com tantos segredos
E sonhos abandonados


Eu entendo você
Cansado do medo
Ocioso e pesado
Eu acho você
Com ar de azedo
Horizontes calados


Eu assisto você
No drama de Pedro
De ter se negado
Eu questiono você
Que prefere o enredo
De seu quartinho fechado


Eu xingo você
Com palavras e dedos
Por ficar aí, parado!
Eu esqueço você
Com seus arremedos
E seus pecados.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Setembro 2015

Disputed


1

petroleum is harmless, except for the trace of poverty it leaves behind

on that day, when the faces of those who discover another oil well go dark,
when life is blown into your heart to extract more oil off your soul
for public use..
That.. is.. the promise of oil, a true promise.

the end..



2

it was said: settle there..
but some of you are enemies for all
so leave it now

look up to yourselves from the bottom of the river;
those of you on top should provide some pity for those underneath..
the displaced is helpless,
like blood that no one wants to buy in the oil market!



3

pardon me, forgive me
for not being able to pump more tears for you
for not mumbling your name in nostalgia.
I directed my face at the warmth of your arms
I got no love but you, you alone, and am the first of your seekers.



4

night,
you are inexperienced with Time
lacking rain drops
that could wash away all the remains of your past
and liberate you of what you had called piety..
of that heart.. capable of love,
of play,
and of intersecting with your obscene withdrawal from that flabby religion
from that fake Tanzeel
from gods that had lost their pride..


5

you burp, more than you used to..
as the bars bless their visitors
with recitations and seductive dancers..

accompanied with the DJ
you recite your hallucinations
and speak your praise for these bodies swinging to the verses of exile.



6

he’s got no right to walk however
or to swing however or to cry however.

he’s got no right to open the window of his soul,
to renew his air, his waste, and his tears..

you too tend to forget that you are
a piece of bread


7

on the day of banishment, they stand naked,
while you swim in the rusty pipes of sewage, barefoot..

this could be healthy for the feet
but not for earth


8

prophets have retired
so do not wait for yours to come to you

and for you,
for you the monitors bring their daily reports
and get their high salaries..

how important money is
for a life of dignity


9

my grandfather stands naked everyday,
without banishment, without divine creation..
I have already been resuscitated without a godly blow in my image.
I am the experience of hell on earth..

earth
is the hell prepared for refugees.



10

your mute blood will not speak up
as long as you pride yourself in death
as long as you keep announcing -secretly- that you have put your soul
at the hands of those who do not know much..

losing your soul will cost time,
much longer than what it takes to calm
your eyes that have cried tears of oil



Ashraf Fayadh


* These poems appeared in Fayadh's poetry collection Instructions Within which was published by the Beirut-based Dar al-Farabi in 2008 and later banned from distribution in Saudi Arabia.

Translated do arab/engliss: Mona Kareem





Disputada


1

o petróleo é inofensivo, excepto para o rastreio de pobreza que deixa para trás

naquele dia, quando os rostos daqueles que descobrir um outro poço de petróleo vão escuro,
quando a vida é soprado em seu coração para extrair mais petróleo fora sua alma
para uso público ..
Isso .. é .. a promessa de óleo, uma verdadeira promessa.

o fim..


2

dizia-se: estabelecer lá ..
mas alguns de vocês são inimigos por todos
para deixá-lo agora

olhar para si mesmos a partir do fundo do rio;
aqueles de vocês em cima devem fornecer alguma piedade para aqueles debaixo ..
os deslocados é impotente,
como o sangue que ninguém quer comprar no mercado de petróleo!


3

perdoem-me, perdoa-me
por não ser capaz de bombear mais lágrimas para você
para não murmurar seu nome na nostalgia.
Eu dirigi o meu rosto no calor de seus braços
Eu não tenho amor, mas você, só você, e sou o primeiro dos seus candidatos.



4

noite,
você é inexperiente com a Time
falta gotas de chuva
que poderiam lavar todos os vestígios de seu passado
e libertar você do que você tinha chamado piedade ..
de que o coração .. capaz de amar,
de jogo,
e da interseção com a sua retirada obsceno de que a religião flácida
a partir desse falso Tanzeel
de deuses que tinham perdido o seu orgulho ..



5

você arrotar, mais do que costumava fazer ..
como as barras de abençoar seus visitantes
com recitações e dançarinos sedutores ..

acompanhado com o DJ
você recita suas alucinações
e falar o seu louvor para estes corpos balançando para os versos de exílio.



6

ele não tem direito de andar no entanto
ou a balançar no entanto ou a chorar no entanto.

ele tem o direito de abrir a janela de sua alma,
renovar o seu ar, seu lixo, e suas lágrimas ..

você também tendem a esquecer que você é
um pedaço de pão



7

no dia da expulsão, eles estão nus,
enquanto você nadar nas tubulações oxidadas de esgoto, com os pés descalços ..

este poderia ser saudável para os pés
mas não para terra


8

profetas ter se aposentado
por isso não esperar por seu para chegar até você

e para você,
para os monitores trazem seus relatórios diários
e obter os seus altos salários ..
quão importante é dinheiro
para uma vida de dignidade



9

meu avô está todos os dias nu,
sem desterro, sem criação divina ..
Eu já foram reanimados sem um golpe piedosamente em minha imagem.
Eu sou a experiência do inferno na terra ..

terra
é o inferno preparado para refugiados.



10
seu sangue mudo não vai falar-se
contanto que você se orgulha em morte
enquanto você manter anunciando -secretly- que você colocou sua alma
nas mãos de quem não sabe muito ..

perder a sua alma vai custar tempo,
muito mais do que o que é preciso para acalmar
seus olhos que têm lágrimas choradas de petróleo



Ashraf Fayadh


* Estes poemas apareceu em coleta poesia de Fayadh Instruções W ithin que foi publicado pela sede em Beirute Dar al-Farabi, em 2008, e mais tarde proibidos de distribuição na Arábia Saudita.


Tradução p/ português desconhecida.

Congresso Internacional do Medo



















Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas


Carlos Drummond de Andrade






















É melhor tentar e falhar
que ocupar-se em ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão, que nada fazer.
Eu prefiro caminhar na chuva
a, em dias tristes, me esconder em casa.
Prefiro ser feliz, embora louco, a viver em conformidade.

Mesmo as noites totalmente sem estrelas
podem anunciar a aurora de uma grande realização.
Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços,
eu ainda plantaria a minha macieira.

O ódio paralisa a vida;
o amor a desata.
O ódio confunde a vida;
o amor a harmoniza.
O ódio escurece a vida;
o amor a ilumina.
O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo...


Martin Luther King Jr.

O livro sobre nada
























É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.


Manoel de Barros












a madrugada
já não me é mais doce
já não me é mais morna
já não me afaga como brisa

a madrugada
gélida
cortante

singra-me

vara-me

parte-me

deixando-me em ruínas

a madrugada já não me é contemplação
a madrugada
agora
contempla meus escombros


Wanda Monteiro 

Vida



















Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.

Walt Whitman, in "Leaves of Grass"

Saudade



















Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas
Seja eu de novo tua sombra, teu desejo
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta
Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'

Aninha e suas pedras


Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.


Cora Coralina

Caminhando Juntos


Caminhemos juntos, meu amigo
Marchemos de encontro ao sol,
Nem o fogo nos queimará
A luz da tua amizade me aquecerá

Caminhemos juntos, meu amigo
Atravessemos mil oceanos
Nenhuma onda nos submergirá
A força da tua amizade me conduzirá

Caminhemos juntos, meu amigo
Escalemos altas montanhas
Nenhum penhasco nos impedirá
A grandeza de tua amizade me elevará

Caminhemos juntos, meu amigo
Elevemos piedosas orações
Nenhuma noite nos assustará
A profundidade de tua amizade me encontrará

Caminhemos juntos, meu amigo
Abracemos nobres multidões
Nenhum barulho nos perturbará
A beleza de tua amizade permanecerá.


Anthony Marddonn Marques Moreira

Hermandad


























Soy hombre: duro poco
y es enorme la noche.
Pero miro hacia arriba:

las estrellas escriben.
Sin entender comprendo:

también soy escritura
y en este mismo instante
alguien me deletrea.



IRMANDADE

Sou homem: duro pouco
e é tão grande a noite.
Mas olho para cima:

as estrelas escrevem.
Sem saber compreendo:

sou também o que escrevo,
neste exato momento
alguém já me decifra.


Octavio Paz - Tradução: Vanderley Mendonça

A CHUVA LENTA





















Esta água medrosa e triste,
como criança que padece,
antes de tocar a terra,
desfalece.

Quietos a árvore e o vento,
e no silêncio estupendo,
este fino pranto amargo,
vertendo!

Todo o céu é um coração
aberto em agro tormento.
Não chove: é um sangrar longo
e lento.

Dentro das casas, os homens
não sentem esta amargura,
este envio de água triste
da altura;

este longo e fatigante
descer de água vencida,
por sobre a terra que jaz
transida.

Em baixando a água inerte,
calada como eu suponho
que sejam os vultos leves
de um sonho.

Chove... e como chacal lento
a noite espreita na serra.
Que irá surgir na sombra
da Terra?

Dormireis, quando lá foram
sofrendo, esta água inerte
e letal, irmã da Morte
se verte?




LA LLUVIA LENTA

Esta agua medrosa y triste,
como un niño que padece,
antes de tocar la tierra
desfallece.

Quieto el árbol, quiero el viento,
¡y en el silencio estupendo,
este fino llanto amargo
cayendo!

El cielo es como un inmenso
corazón que se abre, amargo.
No llueve: es un sangrar lento
y largo.

Dentro del hogar, los hombres
ni sienten esta amargura,
este envío de agua triste
de la altura.

Este largo y fatigante
descender de agua vencida.
hacia la Terra yacente
y transida.

Bajando el agua inerte,
callada como un ensueño,
como las criaturas leves
de los sueños.

Llueve… y como chacal lento
La noche acecha en la tierra.
¿Qué va a surgir, en la sombra,
de la Tierra?

¿Dormiréis, mientras afuera
cae, sufriendo, esta agua inerte,
esta agua letal, hermana
de la Muerte?


Gabriela Mistral - Trad. de Ruth Sylvia de Miranda Salles

Aventura na Casa Atarracada





















Movido contraditoriamente 
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.

Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.




Ana Cristina Cesar

Marinha

Teu corpo é mar com frêmitos frescos de ondas e fosforescência de espumas. Teu corpo é profundidade equórea, fil...