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Mostrando postagens de Setembro, 2015

Eu e o Trem

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A primeira vez que vi o trem, Não me lembro bem quantos anos tinha  Talvez 3, talvez 6, talvez mais 
Mais se da idade não me lembro  Lembro muito bem da impressão  Minha mãe me segurava pela mão  E quase perdi o fôlego quando vi 
Para mim era enorme, imenso  Carregado de segredos, de possibilidades, de medos...  E quando, de repente, a porta abriu  Com tanta gente saindo e entrando  Me senti engolido, abduzido, desaparecido  Naquela massa de gente! 
A paisagem ia passando depressa demais  Mal dava para ver o que tinha lá fora  E a sensação era de que nunca mais sairia dali  Estava finalmente longe de tudo  Minha mãe já parecia um borrão  Assim como cada estação que por mim passava 
Estaria eu parado e as estações andando? 
Quando finalmente a viagem chegou ao fim  Tudo era diferente, nada seria como antes  E o trem parecia nem se importar comigo  Saia de novo a “engolir” e “cuspir” mais gente

Claudia Maria

Adorável psicose

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Ouvindo suas doces palavras ensurdecedoras que me torturam,
Seus belos olhos me matam
Berrando silenciosamente,
Morrendo psicologicamente.
Sendo o que você quiser que seja.
Então, me machuquei de novo, não vale a pena me salvar,
um dia, essas feridas não me matar.
Seu olhar me torturando,
sua linda voz me matando.
Escondido os pecados em meu rosto,
Vivendo uma vida de desgosto.
Apenas um em um milhão,
Não há Deus para salvar meu coração.
Com o destino escrito pela escuridão,
Não há preto obscuro o suficiente pra me definir desde então.
Não se preocupe, você nunca me verá chorar,
Eu sei que estarei sozinha quando desmoronar.
Nesse mar de lágrimas mais conhecido como "amar",
Você assistirá lentamente eu me afogar.
Perdoe-me pelo poema depressivo,
É só um resumo do que eu tenho vivido.


Luana Araújo

Andando

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De espírito alegre e inquieto Entre ser inteligente ou ser esperto São caminhos, são escolhas. Para se andar, para serem descobertos.

Dias de sorrisos Dias de compromissos Dias que são floridos Dias frios e omissos

A caminhada é longa O olhar decisivo Perder faz parte do jogo Mas não viver como vencido

Para voar preciso de asas Quero sentir meu peito livre O meu coração é minha casa Minha disciplina meu equilíbrio.


Henrique Rodrigues Soares – Horas do Silêncio. 28/10/2014.

Estádio de Futebol

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Lá, onde todos são iguais Não há pequenos ou maiorais Sem plebeus ou fariseus Não tem eus ou meus

Entre os cantos e o silêncio ensurdecedor Num instante o olhar rápido assustado O olhar século fotográfico de torcedor As bandeiras de vários significados

Na esperança que nascem aos domingos Com os embates de camisas e chuteiras Entre as odiosas botinadas do inimigo Como ordens patrícias de uma semana inteira

O toque humano divino, o drible torto de deus De quem se liberta de uma marcação diabólica Os súditos contemplam o Olimpo de Zeus Com suas verdades simbólicas


A tensão superintensiva dos rostos A incompreensão da rivalidade, dos opostos O abraço amigo extensivo do desconhecido Com um sorriso desarmado, aberto e despido

Dos preconceitos e cada realidade Não há doutores, não há idades Vivendo a força da uniformidade Com as cores da cumplicidade

E na frieza cortante da defesa Em que olhos são como mãos Num piscar para certeza Acentuam as batidas dos corações

Na trégua dos nobres no intervalo Para os ajustes e o de…

Resistência

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Calou-se a voz da luta Adormeceu a perseverança As dores da labuta São inimigas da esperança

Que venha a brisa, consorte. Como um beijo de criança Ambígua frente à morte Não dando coisa alguma importância

Que venha a sorte inconstante Como sonhos de infância E no febril desejo do instante Ao vazio da insignificância.


Henrique Rodrigues Soares – Horas do Silêncio
27/10/2014.

Vésper

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Do seu fastígio azul, serena e fria,
Desce a noite outonal, augusta e bela;
Vésper fulgura além... Vésper! Só ela
Todo o céu, doce e pálida, alumia.
De um mosteiro na cúpula irradia
Com frouxa luz... Em sua humilde cela,
Contemplativa e lânguida à janela,
Triste freira, fitando-a, se extasia...
Vésper, envolta em deslumbrante alvura,
Ó nuvens, que ides pelo espaço afora!
A quem tão longo olhar volve da altura?
Que olhar, irmão do seu, procura agora
Na terra o astro do amor? O olhar procura
Da solitária freira que o namora.
Raimundo Correia, em "Aleluias" (1891)/Poesias completas. São Paulo: Cia Editora Nacional, vol 1., 1948, p. 97.

ENSAIO SOBRE A CORAGEM

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Qualquer coisa que me dê coragem
Uma frase, uma palavra mágica
Só mais um suspiro para que eu fique vivo
nesse mundo tão covarde Qualquer coisa que me dê coragem
Uma luz de fim de túnel
Uma música que me leve ao infinito
no caminho do indecifrável Um alento contra os tropeços
E saber que é lenda esse peito de aço
Todo o dolorido, todo o meu cansaço
que não predomine sobre a minha força Que a inspiração em mim aposte
e que me baste que haja na direção
qualquer coisa que me dê coragem
pra me lançar ao desconhecido
munido apenas da suspeita
de saber que posso Para além do herói de filme
um resgate, um estímulo, um motivo
um sonho sem filtro
Algo além da fé
do inominável, do milagre
qualquer coisa que me dê coragem
Alan Salgueiro

Ó Capitão! Meu Capitão!

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O Captain! my Captain! our
fearful trip is done,
The ship has weather'd every
rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear,
the people all exulting,
While follow eyes the steady keel,
the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
O Captain! my Captain! rise up
and hear the bells;
Rise up--for you the flag is flung--
for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd
wreaths--for you the shores a-
crowding,
For you they call, the swaying
mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.


My Captain does not answer, his 
lips are pale and still, 
My father does not feel my arm, 
he has no pulse nor will, 
The ship is anchor'd safe and 
sound, its voyage closed and done, 
From fearful trip the victor ship 
comes in with object won; 
Exult O shores, and ring O bells!
But I with mournfu…

Soneto

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Não me culpeis a mim de amar-vos tanto
Mas a vós mesma, e à vossa formosura:
Que, se vos aborrece, me tortura
Ver-me cativo assim do vosso encanto.
Enfadai-vos. Parece-vos que, enquanto
Meu amor se lastima, vos censura:
Mas sendo vós comigo áspera e dura
Que eu por mim brade aos céus não causa espanto.
Se me quereis diverso do que agora
Eu sou, mudai; mudai vós mesma, pois
Ido o rigor que em vosso peito mora,
A mudança será para nós dois:
E então podereis ver, minha senhora,
Que eu sou quem sou por serdes vós quem sois.
Vicente de Carvalho Poemas e Canções, Vicente de Carvalho, prefácio de Euclides da Cunha, 1º edição em 1908, 17º edição.

Verbo Amar

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O verbo é viver a mais pura ficção engendrada pelo teu e meu sonho
Viver a verdade sonhada e ungida de nosso lírico delírio
Viver nosso irreal no desejo gravado em retinas e fluidos
Traduzido nas palavras de nossos gestos
No desejo de tuas mãos, que em minhas mãos, narram a nossa fala Nosso amor transcrito no corpo de nosso verbo
Nosso verbo e nossa rendição
A redenção de todos os pecados do
simples existir Nosso verbo traçado em silêncio no branco do tempo
O tempo em vigília de nós
O tempo que nos espreita e seu olhar insone sobre a premência do toque...
E do abrasar dos nossos corpos
Sobre nossos pulsos redivivos batendo no mesmo compasso O beijo que grita o verbo de saber de nós em parto
Em porto
De saber da vida que veio à luz de nosso amar Os afagos
Os braços em abraços sussurrando a voz de nosso prelúdio e comunhão
A tua e a minha carne nos re-Significando em conjunção
E no curso de nossas veias A comunhão que nos ensinou o silêncio
Pois que agora
Tudo o que lemos em nós é o que …

As Cores

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O azul clarinho do meu céu Derramou e virou mar no papel As folhinhas das plantinhas Do verde que molhei meu pincel

Na tardinha que belo! Misturei no sol vermelho e amarelo E no meu encantado jardim de flores Dos lápis de cera usei todas as cores

De lápis preto pintei a noitinha Parecia triste e sozinha Então achei o branco na caixinha Para nascer a lua e as estrelinhas.



Henrique Rodrigues Soares – Horas de Silêncio

Revolução

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A estes pústulas recados Que deixam seus cardos Legitimam o brado Do louco exaspero

O sono embriagado Do caminho de gado De destino e corpo marcado Para silencioso desespero

Teus lábios congelados O frio cortante por todos os lados Com os sonhos enforcados Pelo austero exagero

Imperdoáveis e insanos pecados Fluindo seus significados No sêmen embarcado Do exausto desejo

Henrique Rodrigues Soares Julho 2013

DO QUE NÃO FIZEMOS

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Tudo vira ânsia
pra chegar a Sexta
pra chegar a festa
pra chegar as férias
e de novo se frustra
quando chega a Segunda Toda a demanda
por algo que tire da rotina
e torne a vida um remanso
E essa tara no futuro...
Toda essa vontade pé na jaca...
Essa síndrome de mega sena A espera do fim de semana
pra se perceber mais humano
e então se sentir um pouco imune
pois o hoje não se vive de forma plena Tanto teorema
tanta auto-ajuda
pra no fim de tudo respirar fundo
o arrependimento do que não fizemos
Alan Salgueiro Rascunhos de Revolução

Nossos Dias

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Ao esperar pela chuva que não veio As agruras dos dias entram pela noite Enchendo o que já está tão cheio E as tristezas, a perda do sono como açoite.

Química descontrolada que controla anseios Mudanças indesejadas...  Engasgadas Que ao intimo alimenta receios De tempos inoportunos.

Lágrimas deslizam sem freios Tão claro fica o deserto E tudo tão alheio Que não acho oásis.


Henrique Rodrigues Soares – Horas de Silêncio 07/04/2014.


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Meus dias são raios
Que lavam o meu resguardo
Me guardo inteira por dentro
Para colar minhas partes, remendo. 
Minha brisa 
É fogo e ventania 
Meu semblante calmaria 
É minha guerra interna vietnamita. 

Paula Beatriz Albuquerque
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gritos em contexturas
a rua fazia parto de gente
com engatilhadas palavras
a polícia atirava descuidos 
bombas de gás e pedras cegas
costuravam fumaças e caos
baleada bandeira
ferido verde e amarelo
no vazio do vento
a desordem é um circo de náuseas
para o entretenimento das massas
Carlos Orfeu

Ludmila

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Tão bela nasceu... Num calor tórrido Em momentos sólidos Que até a água tinha sede.

Minha flor de verão Me trouxe a canção E chuva de esperanças Para reviver os sonhos ressecados.

Docinho açucarado Do leite materno Princesa do nosso mundo encantado Cercado de olhares e amores Fraterno, paterno, materno e outros sabores.


Henrique Rodrigues Soares – Horas de Silêncio. Dedicado a minha filha caçula Ludmila Moura Soares nascida em 14/02/2014.

Oração e Súplica

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Senhor perdoa o pecado repetido De amarelo estou próximo ao vermelho Sei que devo o que já foi prometido E não esqueço dos teus conselhos

Senhor perdoa-me a falta de prudência Caio enlaçados nos meus próprios laços Fruto da minha curta paciência Aos meus cadarços me embaraços

Senhor perdoa-me a absoluta inconstância Constante nos meus passos. Esta carne que em militância Tem sido condutor do meu fracasso

Tenho pedido perdão  E não tenho perdoado Tenho clamado salvação Mas dedicado ao meu pecado
Pela vitória que não veio Pela tristeza que permanece As cobranças dos meus anseios E o sorriso desfalece

Não pedirei sinal nesta prece Os meus joelhos chorando Esperando pela aurora que acontece Nas horas suas até quando?

A demora gradual desta quermesse Que a cada dia vai molhando Esta madeira que apodrece Uma nova vida vai brotando.

Henrique Rodrigues Soares – Horas de Silêncio

Espelho

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No espelho
uma janela dentro da janela
o tempo
preso... como presa é a imagem
que na majestade de seu silêncio
me olha e desconserta pétrea
áspera
brutal imagem
que nesse ínfimo instante
já não me reconhece.
Wanda Monteiro

Os Amantes Submarinos

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Esta noite eu te encontro nas solidões de coral
Onde a força da vida nos trouxe pela mão.
No cume dos redondos lustres em concha
Uma dançarina se desfolha.
Os sonhos da tua infância
Desenrolam-se da boca das sereias.
A grande borboleta verde do fundo do mar
Que só nasce de mil em mil anos
Adeja em torno a ti para te servir,
Apresentando-te o espelho em que a água se mira,
E os finos peixes amarelos e azuis
Circulando nos teus cabelos
Trazem pronto o líquido para adormecer o escafandrista.
Mergulhamos sem pavor
Nestas fundas regiões onde dorme o veleiro,
À espera que o irreal não se levante em aurora
Sobre nossos corpos que retornam às águas do paraíso.
Murilo Mendes Antologia Poética: Murilo Mendes. Organização, estabelecimento de textos e posfácios: Júlio Castañon Guimarães, e Murilo Marcondes de Moura, São Paulo: Cosac Naify, 2014. As Metamorfoses, p. 88

A Tarde

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O silêncio da casa vazia Composta de uma alma vazia E outros etcs...

A lágrima salgada Tempera a dor Contempla os ganhos Que as perdas me trouxeram.

Henrique Rodrigues Soares
2013

Poética

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De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.


Vinicius de Moraes

Discurso sobre a Terra

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Carrego no peito e na memória
O ocre do chão
Do barro molhado e moldado por mi pés
Uma cruzada de mãos em foice
Singrando um latifúndio ausente de piedade
Um chão cão Uma amálgama sob um véu de chuvas
Chuvas que lavaram angústias e cores de lágrimas
Um quase tudo de crueldade
Uma terra úmida de histórias
Um algo sobre-humano de corpos ausentes de sujeitos
Faces sem nome ou sobrenome
Uma história povoada de impossibilidades.
Impossibilidades de quase gente caminhando a esmo

Senda estrada
Serpente de martírio
Que carrega mil terços de prantos
Mil terços de gemidos
Um chão de dor
A sombra da dor que não deixar o chão

II


Uma terra
Estrada nauta assombrada pelo fogo
Pelo poder da marca em brasa

Uma nau sem quilhas
Sem velas
Sem mar
Uma nau de chão

Passageiros do destino de morrer
E desmorrer a cada dia no ventre da mata
De morrer no arrancar de cada raiz
De desmorrer no plantio de cada semente

A lida de sangrar a terra e ser sangrado por ela
O massacre da estima de plantar e não colher
O …