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Mostrando postagens de Dezembro, 2013

O Natal de Jesus

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Quando o sol irrompeu nos cimos azulados e deu vida e calor às árvores e aos prados, e os pássaros, trinando, a alvorada anunciaram e a luz triunfal do dia entre ovações saudaram, dir-se-ia a natureza em festa esplendorosa no radiante fulgor da manhã cor-de-rosa.

Quem fosse até Belém naquele instante, certo, deixando atrás de si a poeira do deserto, havia de sentir um gozo estranho e ingente, uma alegria nova, imensa, surpreendente, porque, na expectação do mundo estarrecido, nascera, finalmente, o Cristo prometido.

Poema de Natal

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Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes Imagem da Internet

A um Poeta

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Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!


Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.


Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:


Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.


Olavo Bilac Pintura de Justina Kopania - site Open ArtGroup

Dom Casmurro

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Se teu olhar te traiu
Na busca do que foi perdido
O semblante sólido agora caiu
Quebrando o disfarce antigo


Atores de um silencioso teatro
Com movimentos e diálogos ensaiados
Durmo e acordo com o abstrato
Gentileza e sorrisos mimados


As cenas com que foi ludibriado
São perfeitas aos olhos apaixonados
Doce visão para um enganado
Que se converteu num ódio enciumado.


O que era desconfiança virou realidade
Qualidades, gordura enfeitada de confeitos.
Que esconde o integro sabor da interioridade
Diante destes olhos agora são defeitos.


O que era incerto virou certo
Visão esclarecida da verdade
O encantado jardim virou deserto
O amor fiel virou maldade.


Ritos, crenças e rotinas

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Ritos, crenças e rotinas Erva ou medicina Gravata, crachá e microondas e os alarmes e os despertadores e os metrônomos máquinas de ponto

Se varre e deixa o chinelo virado Cuidado, a mãe morre O que nos socorre são os amuletos são nossas muletas Algo a que a gente possa se agarrar E carregar no peito De pingente, no colar

Pra não colidir com os astros com a força dos números pra que possa a cabala... três vezes, sete ondas, aos pulos bate na madeira dura afasta a inveja e a ira e a doença e o quebranto e a extensão do pranto traz de volta a pessoa amada e a beija e se benze em três dias, três vezes

Faz figa não deixe que alguém rogue praga os dedos cruza Parece TOC, parece truque um estoque de manias ou contrastes algo que inspire e equilibre

Como diz o cancioneiro quem ilumina as rotinas é o ... meu pequeno talismã cabe na mão a figura do santo a fé no orixá ou no terço num deus, no nada ou em algo no semáforo

na foto do filho no relógio de ponteiro parado no horário do nascimento da pessoa mais amada

Somos inseguros nos sen…

Poema favorito de Nelson Mandela

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Invictus


Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.


In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.


Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.


It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.



Invictus


Desta noite que me cobre
Negra como um poço de borda a borda
Eu Agradeço a quaisquer deuses que hajam
Por minha alma inconquistável


Na cruel garra da circunstância
Eu não recuei nem gritei
Sob os golpes da sorte
Minha cabeça está ensanguentada mas não curvada


Além deste lugar de fúria e lágrimas
Surge apenas o horror da sombra
E ainda com a ameaça dos anos
Encontra, e há de encontrar-me, sem temor


Não importa quão estreito o portão
Quão carregado de punições o pergaminho
Eu so…