Os óculos quebrados
Eu vejo tudo desregrado
Numa sociedade tão cheia de louça
Veja que incoerência, meu caro…
Fazem exigência e têm os pés na poça
Mas vejo por um prisma distorcido
O meio me deu óculos e ele mesmo os quebrou
É tanta informação passando em meu tecido
Que há dias em que não sei nem quem sou
Vejo o povo colocar as leis e quem as aplica numa margem, ou seria um pedestal?
E mandar o espaço urbano, seio das causas sociais, pra outro rio…
Quem me dera que isso fosse só uma miragem hibernal!
Daqui a uns anos, eu não quero ver meu país chorando em lugar frio
A moda é ser hipócrita, virou sonho de consumo
Hipocrisia resolve tudo, dá status, virou troféu
Pro meu olhar qual pode ser o melhor rumo
Senão ficar querendo admirar o céu?
Mas poetas gostam de observar a sociedade
Por isso Drummond sentava-se de costas pro mar
Só me resta uma grande curiosidade:
Quantos juízes ele terá visto passar?
Ana Helena Ribeiro Tavares
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