Mostrando postagens com marcador Canibais Urbanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Canibais Urbanos. Mostrar todas as postagens

Baú aberto

















Eu gosto das coisas inúteis
Eu guardo tantas coisas fúteis
E esqueço o que é importante
De minhas mãos caiu o instante


Que valia, e agora em pedaços
Ocupam valioso espaço
Das coisas que seriam úteis
Em nos deixar ocupados


Nada pode ser constante
O coração pesado e preocupado
Com os ocultos pecados
Que rebelados vieram emergir


Ao jogar fora o antigo e guardado
Doeram meus ossos e artérias
Conversa fiada é coisa séria
Não há perfume no passado.



Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos
Março – 2017.

Fruto podre
















Olhei por dentro de mim
Há tempos morrendo coisas
Entre silêncios e os amargos
O doce abandono do passado


O futuro não sei se nasce?
O fruto não sei se cresce?
Maduro de antes que apodrece
Como o que tinhas e nunca amaste


Entre perguntas e permutas
Perdeu-se desnudar virgem
Como o enigma da esfinge
Que evitou a vida, evitou a luta


Triste, e melancólico sabor
Nas bocas velhas e poucas
Sílabas, tônicas e roucas
Que não valem o seu penhor.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos
Março – 2017.

Pátria Reformadora














Pornográfico as leis de falso indulto
Como um libidinoso conteúdo adulto
Que busca o silêncio das madrugadas
Ao clarear do dia os infográficos
Que nas mentes controlam o influente tráfico
As cortinas para informações enganadas


Reforma séria essa da providência
Que coloca nos colos do divino
Ou em corredores étnicos assassinos
Aos que disputam a sobrevivência


Tudo agora é terceirizado
Até o amor e o direito do pecado
O final do produto deixou de ser sujeito
Em hipóteses caracterizados
Em frases que só possuem agora predicados
O país que pra tudo dar-se jeito


Reforma séria essa da educação
Arrancamos as luzes, já estavam queimadas
Temos vagas para conformidade apropriada
E para os que não têm preocupação




Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Março – 2017.

Síndromes

















Coloco meu sonho
Ainda onde ponho
O meu braço.


Onde está meu tamanho
Onde vaga meu rebanho
Este é o laço.


Ainda saio, me acanho
Com palavras, me apanho
Em visíveis fracassos.


Se a mim torno estranho
Obtuso, e tacanho
A caligrafia do meu traço.


No tímido assanho
Um riso, me exponho
Ao sutil embaraço.



Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Março – 2017.

Ataroxia
















Quando na falta me é negado
O necessário, o apropriado,
Ficando o silêncio do interrogado
Justa prova sobre o culpado


Diante do que precisava ser revelado
O que é claro em demasia
Cega a verdade tirando a valia
Soando falso o que fora perdoado


As circunstâncias, as perspectivas,
São uma floresta assustadora
As mudanças, as expectativas,
Sombra efêmera perturbadora
É duro coabitar com a agonia
Como um remorso frio que adoece
Como que ainda no galho apodrece
Esperando no purgatório a aponía.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Janeiro – 2017.

História da América II















E Colombo como bom cristão
Descobriu nas terras para lá do Atlântico
O desconhecido e populoso Jardim do Éden
Ao primeiro contato a contaminação
E os descobertos descobriram que estavam nus
E foram catequizados no bem e para o mal.


A serpente astuta que veio do mar
Era européia gente e podia andar
Semeando a morte com todos os seus vírus e bactérias
Trazendo o seu conhecimento e suas matérias.


Pouco satisfeito o bom cortes rei de Espanha
Enviou Hernan Cortez e sua manha
De conquistar com a palavra e os canhões
Aos astecas com profecias sobre seus corações.


Para salvá-los e ensiná-los a vida
Cortez cortou árvores, cortou feridas,
Cortou braços, pernas e memórias,
Cortou credos, almas e histórias.


Chegou também o benfeitor Francisco Pizarro
Que uniu todo o Império Inca
Numa espanhola colônia rica
Dando pedigree a um povo pobre e bizarro.
Com o intento sempre de melhorar
Aos ameríndios foram oferecidos
A encomienda e a mita
Em troca de se cristianizar.


Agora somos de Deus e civilizados
Chapetones, criollos e cabildos
Agora enxergamos os nossos pecados
Apresentaram-nos o inferno descabido.


Como já dizia o herói famigerado
Dos despossuídos, Chapolin Colorado.
“E agora? Quem irá nos salvar?”
“Siga-me os bons!” Ou quem puder escapar!


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Janeiro – 2017.

Kohelet

















Quando deixei de ser eu mesmo
E as lágrimas foram o único conforto
Naveguei pelo impreciso extremo
Sem expectativas sem porto

Não pude mais querer coisas
A juventude passou
E as páginas ficaram amarelas
A beleza são mariposas
O encanto voou
Logo a curta vida em uma procela

A tristeza tem mais alma e verdade
Do que a disfarçante alegria
Que esconde nos escombros
Rachaduras e queimaduras
Diante da sua claridade.

A tristeza tem cheiro de antiguidade
É dura, sem noites ou dias,
Não carrega nada em seus ombros
Não se embriaga em frases de ternuras
Nem em discursos de humanidade.

Me pergunto, porque o amor
Tem o hábito de revelar-se
Apenas com a perda, com a dor
Partidas em dias sem cor
Com sombrias traduções
Em melodias de labor.

Quando os sonhos acabarem
E o cansaço for mais forte do que eu
Que minhas luzes se apaguem
Como um dia se acenderam

Que seja ao me despedir
Como uma mãe que deixa seus filhos
Não porque quer
Mas por causa do inevitável partir
De que em seus olhos escureceu o brilho.



Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Pacto











Caminhada dura
Que gastara meus sapatos
As amargas juras
De um primeiro impacto

E na chegada escura
De impossível trato
Para nossa loucura
Construiu-se um pacto

Se hoje me escapa lágrimas
Não há disfarces nem tristezas
Elas arejam meu coração
Para emoções que ainda virão

E quando nos meus espelhos
Posso contemplar tantas luzes acesas
Desafiantes mais singelas
Os aprendizados e conselhos
Não ficaram apenas sobre a mesa
É coisa viva, é coisa séria

Novos afluentes estão nascendo
Para caminhos diferentes
E que sejamos honestamente gente
Que até nas partidas florescendo

Com a ousadia de quem não é usado
Como quem dança nas fortes chuvas
 E persegue nas noites turvas
O preciso diamante que precisa ser conquistado.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos


Inevitabilidade






















Escrevo...
Por motivo de sobrevivência
Recebo...
Os depreciativos por minha aparência.


Resisto...
Ativo contra a demência
Despisto...
Os curativos da inocência.


Devolvo...
Os incentivos das carências
Revolvo...
Nos especulativos das indolências.


Percebo...
O imperativo da impotência
Concebo...
O sedativo da convivência.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos


Vida Humana



















Quantas partidas eu assisti
algumas sem importância
algumas sem despedidas
apenas lágrimas e memórias.


Quantas saudades que senti
algumas de uma infantil infância
algumas ainda são duras feridas
que escreveram e marcaram história.


Quantas dádivas eu recebi
pais, filhos e irmãos
sem sangue ou sobrenomes
apenas por escolhas amigos.


Quantas chegadas eu consenti
no coração tocou-me velhas canções
avisos, profecias e sonhos com nomes
e certezas que me servem de abrigo.


Quantas coisas eu parti
com minhas dúvidas e perguntas
com meu silêncio e inércia
com meu egoísmo e fraternidade.


Quantos sentirão eu parti
com uma dolorosa permuta
com uma incomoda moléstia
que abandonou sua humanidade.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Novembro 2016.

Flamengo
















Nasceste em disputas populares de regatas.
Das senhorinhas aos rapazolas de gravatas.
Do imbróglio tricolor ficaste com o antigo vencedor
Que no primeiro Fla-Flu foi perdedor


Uma dolorida derrota para um destino lutador.
Tens a cara do povo que te aceitou
Que tua história de vitórias abraçou
Sendo eles teu patrimônio e esplendor.


Entre outras épocas representavas contra Portugal o nacional
Hoje todos brasileiros que não são teus te entendem como rival.
Com teu vôo alcançaste tuas fronteiras de paixão
No território nacional, dentro do Brasil, uma nação


Com suas bandeiras e suas fileiras,
Com sua multidão e seu canto,
Com sua raça e seu manto,
Com toda diversidade brasileira.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Homenagem aos amigos rubro-negros – 15/11/2016.

Confiteor

















Se mentiras explicasse o necessário
Se a única verdade estivesse no obituário
Se a alegria transpirasse no teu vestuário
Se cura derramasse do prontuário


Como se perdoar fosse automático
Almas ingênuas, puras e segredos enigmáticos
Com meus conflitos internos emblemáticos
Com a dureza fria dos cálculos matemáticos


Para desembarcar minhas circunstâncias
Preciso de um porto
Para descarregar minhas insignificâncias
Possuo um corpo


Que fé tem sido o meu forte?
Nestas ondas salgadas que me tocam
Não há braços e abraços que conforte
Desta ausência que me marcam.




Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Um Conto de Amor


















Uma vez numa terra muito distante
Vivia uma princesa de sorriso brilhante
Num reino tão nobre das tradições tricolores
Esperando o seu verdadeiro amor.


Nas fileiras tricolores não pode encontrar
O seu príncipe encantado
Mas os seus olhos no que longe avistou
Ele! Ele!
Ela ficou com seu coração aprisionado.


Lá vinha ele, com sua armadura rubra
E seu cavalo negro como a noite
Sem muito a esperar, sobre meras desconfianças
Caminhava ele por estas perdidas andanças


Ele então teve o coração flechado
Pela meiga princesa tricolor
O cavaleiro rubro negro nunca mais foi o mesmo
Sua vida não queria novas estâncias
Seus caminhos não poderiam ir mais longe

Nunca mais se separariam
Quando a distancia ou obrigações os separavam
Suas mentes mantinham seus juramentos
Seus sorrisos e sonhos agora tão culpados
Trocavam confidencias entre corpos e sentimentos.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Aos meus Queridos Hernani Lopes “Cavaleiro Rubronegro” e Mayara Risso “Princesa Tricolor”. 15/10/2016.

Mea Culpa














O cuidado com o costume
Apodrecido que cheira mal como estrume
O cuidado com mortal tédio
Para o qual não existem mais remédios


Enterrei lágrimas vivas
No rosto congelado pela brisa
Toquei-me nas minhas trevas
Com peso e sem reservas


E expus o meu pecado
Com a humanidade de seus significados
E construí suaves desculpas
Para calar-me as culpas.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos


Somos todos Olímpicos















Somos todos assim
Extremamente dramáticos
Ensurdamente simpáticos
E lutamos até o fim

Nascemos numa competição
Por um prato de comida
Recebemos e vencemos números
Que nos registram por toda vida

Não nos deram ensino
Não tivemos treinamento
Não nos deram patrocínio
Não tivemos acompanhamento

Ganhar é lutar pela vida
Sem apoio ou fomento
Perder é uma batida
Que dançamos com conhecimento

Somos todos assim
Resistentes a tudo
Que tenta nos derrubar
Somos todos assim
Consistentes e ininterruptos
Diante do que nos vão tirar

Torcemos e nos contorcemos
Somos atletas de uma realidade
Todos os dias mais no falta do que temos
E acordamos na clandestinidade

Mas não vamos parar
Diante dos obstáculos e adversários
Temos recordes para quebrar
Como vencemos nossos aniversários

Como heróis do Olimpo
Escreveram-nos canções
E somos de barro batido
No ritmo do aboio e rincões



Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Ambrosia Poética













Quero palavras suaves e carinhosas
Que façam brotar orquídeas e rosas
Quero abraços quentes e ternos
Que aqueçam os corações antárticos de inverno


Que à tarde vagarosa e prosa
Com diálogos que vão a lugar nenhum
Quero esquecer a labuta dolorosa
Que não me levam a lugar algum


Quero o gosto do vago e indeciso
Sentir na boca a mentira velha repetida
Quero os beijos vadios e indecorosos


Quero o que não quero e o que não preciso
Quero pensar sem tombos ou medidas
Entre o inútil e o grandioso.


Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

Pessoas e Coisas






















Se apanho também bato
Me imponho e combato
Se de boca foi feito o trato
Comi o que estava no prato

O que senti foi o impacto
Quando consenti o diabólico pacto
Aceitei a cor do anonimato
Caçava os meus. Capitão do mato

O que recebo também reparto
Se fico também parto
O que não tive está intacto
Reduzi-me estou compacto

Deixei de ser não me abato
O que não vou ter eu rebato
O que não sou estou inapto
O que fui perdi contato

Apagou-se valores do extrato
Pessoas e coisas são contratos
Sonhos e ideias são socráticos
Ter mais que ser é prático.


 Henrique Rodrigues Soares – Canibais Urbanos

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

Nos últimos 30 dias.