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O Castelo

















O teu castelo é como um castelo de cartas
Como tantos que ao vento aluíram no mar.
Não lhe toques. Nada ficou por acabar.
Tal como o ergueste hás de deixá-lo quando partas.

Mesmo um friso de espuma é o princípio da morte
Que alonga pela areia o braço da maré.
Muros houve que mal estiveram de pé,
Ainda que parecendo os de uma praça forte.

A areia é eterna, o mar é eterno, eterno é o vento,
Mas eterno será também o esforço vão
De erguer castelos que bem pouco durarão
Nesta praia que só promete esquecimento.


Ribeiro Couto - In: Longe

Sombra



















A tarde entrou pela janela, como um hálito.
Na transparência do ar, que tem cheiro de mato,
Uma andorinha passa perdida, voa sem pressa.


No espelho imóvel dos brejos
A água prolonga o céu e uma primeira estrela.
O crepúsculo vem vindo, desce dos morros.


Não tarda, o véu sutil feito de cinza esparsa
Todo me envolvera em sua grande sombra
E outras estrelas brilharão na água dos brejos.


Ribeiro Couto

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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