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Ó França, Mãe das Leis
















O França, mãe das leis, das artes e das lutas,
O leite do teu seio amamentou-me outrora:
Em busca do redil, como um cordeiro, agora,
Teu nome eu vou dizendo às florestas e às grutas.

Então, cruel, por que sem resposta me deixas,
Se, como filho teu, já fui reconhecido?
França, França, responde a meu triste gemido.
Somente me responde o eco das minhas queixas.

Entre os lobos cruéis, os campos percorrendo,
Sinto chegar o inverno, o seu gelo trazendo
A meu corpo transido arrepio tamanho.

A cordeiro nenhum tem faltado alimento,
Nenhum receia o lobo, a friagem e o vento:
E no entanto não sou a escória do rebanho.



France, mère des arts, des armes et des lois

France, mère des arts, des armes et des lois,
Tu m’as nourri longtemps du lait de ta mamelle :
Ores, comme un agneau qui sa nourrice appelle,
Je remplis de ton nom les antres et les bois.

Si tu m’as pour enfant avoué quelquefois,
Que ne me réponds-tu maintenant, ô cruelle ?
France, France, réponds à ma triste querelle.
Mais nul, sinon Écho, ne répond à ma voix.

Entre les loups cruels j’erre parmi la plaine,
Je sens venir l’hiver, de qui la froide haleine
D’une tremblante horreur fait hérisser ma peau.

Las, tes autres agneaux n’ont faute de pâture,
Ils ne craignent le loup, le vent ni la froidure :
Si ne suis-je pourtant le pire du troupeau.



Joachim Du Bellay - Tradução: https://www.escritas.org/pt/joachim-du-bellay

"Se a nossa vida..."

















Se nossa vida é menos do que um dia 
na eternidade e o tempo em disparada
nos corre os dias e os reduz a nada,
pois quando nasce é coisa fugidia,

no que meditas e por que te agrada,
minh`alma, o breu desta prisão sombria
quando o teu dorso alado propicia
que ascendeu à mais lúcida morada?

Dispõe-se lá de amor e de prazer,
da paz pela qual todo o mundo anseia,
do bem quer todo espirito requer.

É lá que poderia, minh`alma, no alto
do céu, reconhecer a própria Idéia
da beleza que eu neste mundo exalto.



“Si nostre vie...”

Si notre vie est moins qu’une journée
En l’éternel, si l’an qui fait le tour
Chasse nos jours sans espoir de retour,
Si périssable est toute chose née,

Que songes-tu, mon âme emprisonnée?
Pourquoi te plaît l’obscur de notre jour,
Si pour voler en un plus clair séjour,
Tu as au dos l’aile bien empanée?

Là, est le bien que tout esprit désire,
Là, le repos où tout le monde aspire,
Là, est l’amour, là, le plaisir encore.

Là, ô mon âme au plus haut ciel guidée!
Tu y pourras reconnaître l’Idée
De la beauté, qu’en ce monde j’adore.


Joachim du Bellay – Nelson Ascher

Poesia Alheia, 124 Poemas Traduzidos, [Tradução e Organização] Nelson Ascher, Rio de Janeiro, Imago Ed., 1998, p. 198-199.

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