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A Morte de Cristo















Pregado estava o Cristo à cruz que nos salvou; 
Aproximou-se a Morte e, no auge do suplício, 
Parecia hesitar e o braço retirou, 
Temendo praticar o seu nefando ofício. 

Mas Jesus, a cabeça inclinando, acenou 
À executora atroz para que, sem flagício 
Contra o filho de Deus, que Deus nos enviou, 
Pudesse consumar o negro sacrifício. 

Dando um tremendo golpe a Morte obedeceu, 
Abalou-se a natura e o sol empaleceu, 
Qual se próximo fosse o termo deste mundo. 

Tudo, tudo gemeu na terra e na amplidão; 
Somente o homem mostrou ter do peito no fundo 
Uma pedra, e na pedra arfava um coração!


Artur de Azevedo

Por decoro




















Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;


quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;


os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranqüilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,


que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.


Artur Azevedo

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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