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O Prosador e o Poeta























Por que te inquietas, prosador?
Escolhe os temas e, ao que for,
eu darei gume, alada rima,
e farei dele flecha exímia
que, após deixar a corda tesa
do arco dobrado servilmente,
voará certeira até que a presa,
nosso inimigo, se lamente!

(1825)
.

ПРОЗАИК И ПОЭТ

О чем, прозаик, ты хлопочешь?
Давай мне мысль какую хочешь:
Ее с конца я завострю,
Летучей рифмой оперю,
Взложу на тетиву тугую,
Послушный лук согну в дугу,
А там пошлю наудалую,
И горе нашему врагу!

(1825)
Aleksander Púchkin (Алекса́ндр Пу́шкин). A dama de espadas: prosa e poemas. [tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher]. Coleção Leste. São Paulo: Editora 34, 1999; 3ª ed., 2013.

A Uva











Não choro, finda a primavera
ligeira, a rosa que definha,
pois, maturando numa vinha
ao pé do monte, a uva me espera:
primor do vale viridente,
deleite do dourado outono,
tão diáfana e tão longo como
os dedos de uma adolescente.

(1824)
.

ВИНОГРАД
Не стану я жалеть о розах,
Увядших с легкою весной;
Мне мил и виноград на лозах,
В кистях созревший под горой,
Краса моей долины злачной,
Отрада осени златой,
Продолговатый и прозрачный,
Как персты девы молодой.

Aleksander Púchkin (Алекса́ндр Пу́шкин). A dama de espadas: prosa e poemas. [tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher]. Coleção Leste. São Paulo: Editora 34, 1999; 3ª ed., 2013.

Mas*















tardes de borrasca –
todos à tasca!

Trucavam: cem mais cem!
Que Deus no além
lhes perdoe (Amem!).

Apostas, riscos, bis!
Quem ganha faz um x
com giz.

Tardes de borrasca.
Encargos graves
na tasca.


.
Em russo:

А в ненастные дни

Собирались они
Часто;

Гнули — бог их прости! —
От пятидесяти
На сто,

И выигрывали,
И отписывали
Мелом.

Так, в ненастные дни,
Занимались они
Делом.

Aleksander Púchkin (Алекса́ндр Пу́шкин).. [tradução Haroldo de Campos].
* Esta Epígrafe em versos ao conto “A dama de espadas” de Aleksander Púchkin foi traduzida, a pedido de Boris Schnaiderman, por Haroldo de Campos.

O Semeador


















O semeador saiu para semear

Eu semeador, deserto afora,
da liberdade, fui com mão
pura lançar, antes que a aurora
nascesse, o grão que revigora
no sulcos vis da escravidão.
Mas todo esforço foi em vão:
joguei vontade e tempo fora.

Pasce, pois eu te repudio,
ralé submissa e surda ao brio.
Libertar gado é faina ingrata,
pois gado se tosquia e mata.
Herda, por gerações a fio,
canga, chocalhos e chibata.

(1823)
.

Изыде сеятель сеяти семена своя.

Свободы сеятель пустынный,
Я вышел рано, до звезды;
Рукою чистой и безвинной
В порабощенные бразды
Бросал живительное семя —
Но потерял я только время,
Благие мысли и труды…

Паситесь, мирные народы!
Вас не разбудит чести клич.
К чему стадам дары свободы?
Их должно резать или стричь.
Наследство их из рода в роды
Ярмо с гремушками да бич.

Aleksander Púchkin 
(Алекса́ндр Пу́шкин). A dama de espadas: prosa e poemas. [tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher]. Coleção Leste. São Paulo: Editora 34, 1999; 3ª ed., 2013.

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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