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Infâncias


gosto de mãos rupestres
- de infâncias,
de me dobrar e tombar
em risos e estigas que a minha rua já não tem.
chorar – escrevendo um livro depois apagado.
rir – lendo memórias apagadas.

a sujidade de infância tem um cheiro
de barro
e trepadeiras poerentas.
quando me sujo de infâncias
espirro
um sardão enorme
- e um gato dançado
pelo tiro da minha pressão de ar.

não quero apenas carícias
nas cores desse sardão ensolarado
sujo de infância
quero pôr pedido-desculpa
na vida do gato vesgo...


Ondjaki, em "Materiais para confecção de um espanador de tristezas". Lisboa: Editorial Caminho, 2009 p. 35.

À noite ser [materiais para...]























dedos quietos que crescem
pele nua
brincadeiras com o amor
pêndulo solto de sonhos
lógicas sacudidas
olhar de só-assim
modos de chegar como sementes
manobras de artesão contra o ego
desafio do «eu»
nudez de pele
de mãos
e (sob os teus olhos)
invenção de um sólido espanador de tristezas.


Ondjaki (01.04.03), em "Materiais para a confecção de um espanador de tristezas". Lisboa: Editorial Caminho, 2009.

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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