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CAMPO















A terra
se cobriu
de tenra
leveza

Como uma esposa
nova
oferece
atônita
ao filho
o pudor
sorridente
de mãe


PRATO

Villa di Garda aprile 1918

La terra
s'è velata
di tenera
leggerezza

Come una sposa
novella
offre
allibita
alla sua creatura
il pudore
sorridente
di madre


Giuseppe Ungaretti - In A Alegria -Tradução e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti, Editora Record, Rio de Janeiro, 2003

Julho
















1931
Quando sobre ela se abate,
Faz-se de um triste cor de rosa
A bela copa.

Destrói barrancas, bebe os rios,
Tritura rochas, fulgura,
É obstinada sua fúria, implacável.
Dispersa o espaço, desfaz fronteiras,
É o verão e pelo tempo afora
Com seu olhar calcinante
Despindo vai da terra o esqueleto.


Giuseppe Ungaretti – Geraldo Holanda Cavalcanti



Di Luglio

1931
Quando su ci si butta lei,
Si fa d’un triste colore di rosa
Il bel fogliame.

Strugge forre, beve fiumi,
Macina scogli, splende,
È furia che s’ostina, è implacabile,
Sparge spazio, acceca mete,
È l’estate e nei secoli
Con i suoi occhi calcinanti
Va della terra spogliando lo scheletro.


RB Poesia Estrangeira – Revista da Academia Brasileira de Letras, nº 49, p. 12-13.

Silêncio na Ligúria
















1922
Dissolve-se ondeante o espelho d’água

Nas suas urnas o sol
Ainda escondido se banha

Um suave rubor perpassa.

E abre de súbito no recôncavo
A plena brandura dos olhos
Morre submersa a sombra das rochas.

Suave desabrochar de hilares flancos
A desperta quietude do verdadeiro amor.

E eu o gozo difuso
Pela asa alabastrina
De uma imóvel manhã.


Giuseppe Ungaretti – Geraldo Holanda Cavalcanti



Silenzio in Liguria

1922
Scade flessuosa la pianura d’acqua.

Nelle sue urne Il sole
Ancora segreto si bagna.
Una carnagione lieve trascorre.

Ed ella apre improvvisa ai seni
La grande mitezza degli occhi.

L’ombra sommersa delle rocce muore.

Dolce sbocciata dalle anche ilari,
Il vero amore è una quiete accesa,

E la godo diffusa
Dall’ala alabastrina
D’una mattina immobile.


RB Poesia Estrangeira – Revista da Academia Brasileira de Letras, nº 49, p. 10-11.

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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