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Prece de silêncio mutável
















de todas as cantorias dos pássaros
de todos os sons dos ventos
de todos os sons das chuvas
de todas as palavras ditas com amor
de todo canto do fundo do peito cantado
de toda verdade essência música poesia
de todo som da verdade
entrego ao som maior do silêncio
que qualquer palavra que digas aqui
e que qualquer palavra que leias
possa reverberar em pranto os entre tantos
que um dia foram tantos
e que hoje é canto
que o amor sabe onde
o silêncio nos sabe mais
que qualquer palavra
e que apesar de toda errância
a palavra nos possa ser sempre:
semente cristalina
diamante
em constante terna e eterna
mutação

Luiza Maciel Nogueira

Poema de toda, tanta














de toda, tanta beleza presente
o mar soube como sempre
nos encantar com seus brilhos
a nos afagar com suas águas
no toque da pele
os barcos deslizavam melodias
e era a infinitude que nos beijava
o sol nascia no início do traço
rasgavam as sombras ao meio
e a verdade se via discreta
nenhuma ilusão nos tinha
as coisas se eram, nós estávamos
prenhes de ternura
dessa vez era a simplicidade
que nos abraçava
e nos cantava bem baixinho
o nosso desesperar
os barcos se iam
acenavam uma nova viagem

a vida tem dessas coisas
de nos trazer encantos
entre tantos entretantos
tanto enquanto nascer
quando a coisa nos toma
e nos mostra seu vazio
quando o ser emerge da coisa
e o sonho se vê


Luiza Maciel Nogueira

Do último poema
















sem tantas palavras
mas uma infinidade de sensações
sem tanto adeus
mas um para sempre
recheado de agoras
antes a vida não era
apenas passava
agora a vida é sempre
abraço o que vier
passo quando o beijo do já
infinita a vida
saboreio o íntimo pulsar do mundo
em lugar da triste espera
infinitei a alegria de amar
sem tantas palavras
e sem nenhuma explicação
a poesia faz morada no silêncio
faz ninho de maravilhas na pele
depois desse poema
não te direi mais nada
as maravilhas são pássaros
que voam na alegria de voar
enquanto o amor é o ar, o sol, o céu
que permite voarem as maravilhas


Luiza Maciel Nogueira

Cada pingo da chuva que cai


cada pingo da chuva que cai
é um grito de liberdade
da natureza a luzir entretantos
tantos mares em gotas caem do céu
que foi sol, foi nuvem, foi pássaro
e é e será ainda mais
infinitamente
(e quando a chuva cessa
cada pingo se torna mar na alma da gente)


Luiza Maciel Nogueira

o vento dança nas árvores















o vento dança nas árvores
a árvore dança com o vento
abrindo um sorriso em minha face
meu coração é só movimento
de ventos em árvores
de árvores em ventos


Luiza Maciel Nogueira

Eu queria escrever um poema bonito


eu queria escrever um poema bonito
que faça sorrir, um poema hilário,
que nasçam pássaros na tua gargalhada
um poema simples, mas essencial
que abra os olhos para o amor,
para a ternura e o carinho
algo assim dengoso e entregue
sem confusão, mágoa ou ressentimento
algo que alimente o amor pela vida
que faça compreender
o papel da paz tanto quanto o do caos,
que diminua a pressa e te faça consciente,
que te tire do cansaço e te dê vontade
de dançar infinitamente
algo sem explicação e sem lamento
essa coisa de amar a palavra da boca,
escutar o silêncio de tudo, respeitar todo mistério,
esperar o melhor do agora, do instante, do já,
para não se prender em delírios sem fim
não querer saber demais o que não se explica
era isso que eu queria
um poema composto de absurdos,
um dos teus sorrisos
e se eu tiver uma sorte imensa
um abraço do infinito vindo de ti
porque cada pessoa é um infinito
um pedaço do delírio mais lindo
uma música, um silêncio, um oceano
e é preciso expandir


Luiza Maciel Nogueira

Pingo de Luz














Pingo de luz brota
da gota do oceano
lágrima de felicidade que tece
o vendaval da luz
crescem os lábios
na onda do verso
reinventa a poesia
enquanto alimenta o amor
da pequena que cresce
amada gota, infinita luz

Dentro da poesia
dentro da poesia
lá no interior do verso
jaz a essência da luz em suspensão
na intenção de quem escreve
e também nos olhos de quem lê
do encontro entre poeta e leitor
dos sons das vidas em união
jaz na estrada nos olhos
a ternura, a entrega, a poesia
também os muros, também as pontes
também as sombras, também as mortes
jaz silêncio, jaz sonho, jaz semente
e jaz também amor

amor pouco, mas amor



Luiza Maciel Nogueira

Poema de um enigma só


























a solidão é uma faca cravada com uma rosa
delírio quase impossível de se ver
estrada rumo ao vazio que se preenche de ilusão
que de repente como que por magia
a solidão no vazio é cheia de mentiras que se querem verdades
que se quer vaidade, que se quer amor
ninguém sabe da mentira que o outro cria
da mentira nossa de cada dia

do filme que na cabeça se fia


Luiza Maciel Nogueira

Diante de todos os segredos

















diante de todos os segredos
a poesia permanece
inclusive no silêncio
e isso é o que nos salva


o movimento da vida
a dança do repente de um futuro
presente em cada pedaço de vida
em cada ínfimo
e é isso que nos salva
apesar de tudo


o que passa, passou feito pássaro,
como dizia o poeta
que venha o futuro num repente
num abraço do que há de vir
na entrega do presente


saiba disso
e eu sei que você sabe
mas é importante lembrar
que a vida tem dessas coisas
de nos fazer esquecer de viver


Luiza Maciel Nogueira


Toda Ternura





















toda ternura no olhar
explode o amor pelas paredes
a pele arrepia em delírio
segreda seus desejos
derrama beijos
no horizonte do silêncio
corpo abraça corpo


Luiza Maciel Nogueira

Lar





















versos incrustados na pele
sussurros adiados na espera
o corpo revestido de alma
onde o lar do paraíso vibra
nos desejos da pele despida
essência, lume e som


(o silêncio ora em nós)


Luiza Maciel Nogueira

Oferenda





















silêncio amor
deixa que tudo tem seu encaixe
do que é vivo e vibra


revolvi a música
nesse pedaço de inocência
papel alado em branco
o perfume da essência


miragens amor
paisagens, versos, sonetos
na pele do desejo


Luiza Maciel Nogueira

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

Nos últimos 30 dias.