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Fé, é quando vemos
A gota de orvalho ou a folhinha pelo rio fluir
E sabemos que existem pois têm de existir.
E ainda que de olhos fechados nos deixemos sonhar
Só haverá no mundo o que havia
E as águas do rio a folhinha vão levar.

Fé, é quando ferimos
O pé na pedra e sabemos que as pedras
Lá estão para que os pés nos firam.

Vejam quão grande é a sombra das árvores,
Assim como a nossa e a das flores,
O que não tem sombra, não tem força para existir.


Czeslaw Milosz

* Estes poemas são da tradução portuguesa Czesław Miłosz e Wisława Szymborska, Alguns Gostam de Poesia. Antologia, Lisboa: Cavalo de Ferro, 2004.


Ventos contrários
















Ao começar a escrever ainda não sabia
que cada palavra minha do mundo tomaria
um pedaço, em troca deixando apenas
o espaço vazio. E que meus poemas

substituiriam para mim a pátria, a mãe, o pai,
o primeiro amor, a segunda juventude e vai
sumir tudo o que escrevi desse mundo,
sua existência sólida em ar se transformando,

em vento, chuva e fogo e o que eu tocar
no poema vai na vida se imobilizar
e se esmigalhar em átomos tão reduzidos,
que virarão quase antimatéria, a invisível

poeira que gira por tanto tempo no ar
até cair por fim no seu olho e ele lacrimejar.



Przeciwne wiatry

Kiedy zacząłem pisać, nie wiedziałem jeszcze,
że każde moje słowo będzie zabierało
po kawałku ze świata, w zamian zostawiając
jedynie miejsca puste. Że powoli wiersze

zastąpią mi ojczyznę, matkę, ojca, pierwszą
miłość i drugą młodość, a co zapisałem,
ubędzie z tego świata, zamieni swe stałe
istnienie na byt lotny, stanie się powietrzem,

wiatrem, dreszczem i ogniem, i to, co poruszę
w wierszu, znieruchomieje w życiu, i pokruszy
się na tak drobne cząstki, że się stanie prawie
antymaterią, pyłem całkiem niewidzialnym,

wirującym w powietrzu, tak długo, aż wpadnie
w końcu tobie do oka, a ono załzawi.

Tomasz Różycki - tradução de Piotr Kilanowski.

Monumento














Aos heróis – epopeias e rapsódias!!!
Aos heróis honrará a prole,
os seus nomes em pedestais gravados,
e os seus monumentos em mármore.

Aos soldados valentes – as medalhas!
Uma cruz – à morte do soldado!
As glórias e os sofrimentos em aço,
bronze e granito encantados.

Ficarão dos Grandes as Lendas,
de que eram Enormes, o testamento,
o mito consolidará e restará
o Monumento.

Quem pra vós vai contar, ó Futuros,
a história – nem de mito que resiste,
nem de bronze – que a levaram, mataram…
e que ELA não existe…

Se ela era boa? Nem isso –
brigava e as portas batia,
resmungava, vociferava…
mas – existia.

Bela? Nem antes dos cabelos prateados,
ninguém de uma beldade a chamaria
Sábia? Eh, comum, simplesmente não foi
burra…
E no entanto…existia.

Entendes: Ela estava e agora não está,
em cada canto algo ruim, coisa má,
e dá para ver logo que Ela não está.

Nada de grande palavra: O Lar,
Deus meu, que casa era essa?!
………….(não eram de Varsóvia)
O marido o dia todo na oficina,
o filho – sempre correndo com pressa,
o quarto raramente arrumado,
………….(pois de baixo água trazia),
os móveis de algum jeito ordenados,
o relógio parecia sorrir animado,
pois – Ela existia.
Existia.

E daí? Ser humano? Não importa –
em estatística não vai constar,
para o mundo, a Europa – é um nada,
grandes coisas esta Sua labuta suada,
mas quando se chegava à porta do lar,
mesmo antes de tocar na maçaneta, abrir,
no ar algum cheiro bom havia,
ou sopa quente, ou toalha macia,
um calor familiar te envolvia,
pois…
………….Ela existia.

E a levaram,
Foi do jeito que estava.
Do fogão.
Da sopa não provaram…
carregaram, foi-se, não está,
mataram.

O marido voltará da oficina,
sentará na banqueta chocado,
as mãos fracas cairão pros lados,
olhará com a cabeça meneando.

No fogão não há fogo –
no chão, pano caído,
prato na mesa – sujeira demais.
Não levanta, curva-se, pensa.
Nada a fazer.
………….………….Não está mais.

A sopa rala e estranha da oficina
da fábrica, e o pão – vai pôr na goela,
Come e olha:
………….………….na prateleira em silêncio
fria e morta a Sua panela.

Não retornará à oficina,
o filho vai voltar faminto,
na desfeita cama amarela,
sem tirar o sapato barrento,
deitado, não dormirá.
Vai olhar, não esquecerá um só momento…
………….Ali, da Mãe, a esfriada p a n e l a –
………….O SEU MONUMENTO.



P O M N I K

Bohaterom – poematy, rapsody!!!
Bohaterów uczczą potomni
na cokołach nazwiska ryte
i marmurowy pomnik.

Walecznym żołnierzom – medal!
Śmierci żołnierskiej krzyż!
Zakląć chwałę i mękę
w stal, granit i spiż.

Zostaną po Wielkich Legendy
że tacy byli ogromni.
Mit zakrzepnie i – będzie
POMNIK.

A kto wam opowie, Przyszli,
nie spiż i nie mitu temat –
że Ją zabrali – zabili,
i że jej nie ma…

Czy była dobra? Nawet nie –
często się przecież kłóciła,
stuknęła drzwiami, burknęła…
ale była.

Ładna? nie była nigdy ładna,
nawet nim głowa się posrebrzyła.
Mądra? Ot, zwyczajnie nie głupia…
No, ale… była.
Rozumiesz – była a gdy jej nie ma,
to każdy kąt tu oczy złe ma
i zaraz widać że jej nie ma.

Nie żeby wielkie słowo – DOM –
mój Boże, cóż to za gospodarstwo!
(nie byli z Warszawy)
mąż cały dzień w warsztacie
syn także miał gdzieś swoje sprawy,
pokoik często nie sprzątnięty
(bo wodę z dołu przynosiła)
tak jakoś stały wszystkie sprzęty
tak jakoś zegar uśmiechnięty
no – była.
Była.

I cóż? Człowiek? – Nie – Nieważne –
statystyka żadna jej nie wymieni –
dla świata, Europy, mniej niż pyłek –
ważna to rzecz ten jej wysiłek!
ale gdyś zbliżył się do sieni,
nim klamkę wziąłeś, – nim drzwi pchnąłeś,
jakoś w powietrzu zapachniały
ni ciepła zupa, ni ręcznik biały,
tak jakoś ciepłość cię owiła
no…
była.

I wzięli.
Poszła jak stała.
Od ognia.
Zupy nie zdążyła…
Zabrakli, poszła – nie ma –
zabili.

Wróci z warsztatu mąż,
usiądzie ciężko na stołku –
ręce opadną na podołku,
głową wodzi i patrzy.

Ognia nie ma pod blachą –
ścierka spadła i leży
talerz na stole – brudno.
Nie wstaje. Pochyla się. Myśli.
Trudno.
Nie ma.

Zje chleba i zupy z warsztatu
fabrycznej – obcej i marnej.
Je i patrzy: –
na półce… milczący
zimny i martwy jej garnek.

Nie pójdzie już do warsztatu –
Syn wróci z miasta zgłodzony
w łóżko niezaścielane
rzuci się w butach zbłoconych –
Nie uśnie.
Będzie patrzył (i nie zapomni…)
Tam – Matki wystygły g a r n ek
J E J P O M N I K..

Wladyslaw Szlengel - Tradução Piotr Kilanowski.

Reabilitação post-mortem























Os mortos lembram-se
de nossa indiferença
Os mortos lembram-se
de nosso silêncio
Os mortos lembram-se
de nossas palavras

Os mortos veem as nossas caras
distendidas de orelha a orelha
Os mortos veem os nossos
corpos que se esfregam
os mortos veem as nossas mãos
prontas para aplaudir

Os mortos leem os nossos livros
ouvem os nossos discursos
pronunciados há muito tempo
os mortos ouvem
o ruído de nossas línguas
os mortos analisam os relatórios
participam de discussões
já encerradas

os mortos enxergam estádios
corais conjuntos em escansão

Todos os vivos são culpados
culpadas são as crianças pequenas
que entregavam buquês de flores
culpados são os amantes
culpados são os poetas
culpados são aqueles que fugiram
e aqueles que ficaram
aqueles que disseram sim
aqueles que disseram não
e aqueles que falaram

os mortos estão contandos os vivos
os mortos não haverão e reabilitar-nos


Tadeusz Różewicz - (tradução de Aleksandr Jovanović)

Amor





















Amor significa olharmo-nos
Como se olha as coisas não familiares,
Pois somos apenas uma entre milhares.
E quem assim se olha, mesmo sem saber,
De muitas mágoas o coração vai proteger.
E chama-no de antigo o pássaro e a árvore.

Então sim, quer desfrutar de si e de tudo
Para que tudo brilhe no clarão da plenitude.
E não importa não saber ao que servir,
Nem sempre serve melhor quem sabe.

Miłość

Miłość to znaczy popatrzeć na siebie,
Tak jak się patrzy na obce nam rzeczy,
Bo jesteś tylko jedną z rzeczy wielu.
A kto tak patrzy, choć sam o tym nie wie,
Ze zmartwień różnych swoje serce leczy,
Ptak mu i drzewo mówią: przyjacielu.
Wtedy i siebie, i rzeczy chce użyć,
Żeby stanęły w wypełnienia łunie.
To nic, że czasem nie wie, czemu służyć:
Nie ten najlepiej służy, kto rozumie. 


Czeslaw Milosz
* Estes poemas são da tradução portuguesa Czesław Miłosz e Wisława Szymborska, Alguns Gostam de Poesia. Antologia, Lisboa: Cavalo de Ferro, 2004.

Museu














Há pratos, mas falta apetite.
Há alianças, mas o amor recíproco se foi
há pelo menos trezentos anos.

Há um leque — onde os rubores?
Há espadas — onde a ira?
E o alaúde nem ressoa na hora sombria.

Por falta de eternidade
juntaram dez mil velharias.
Um bedel bolorento tira um doce cochilo,
o bigode pendido sobre a vitrine.

Metais, argila, pluma de pássaro
triunfam silenciosos no tempo.
Só dá risadinhas a presilha da jovem risonha do Egito.

A coroa sobreviveu à cabeça.
A mão perdeu para a luva.
A bota direita derrotou a perna.

Quanto a mim, vou vivendo, acreditem.
Minha competição com o vestido continua.
E que teimosia a dele!
E como ele adoraria sobreviver!


*


Muzeum

Są talerze, ale nie ma apetytu.
Są obrączki, ale nie ma wzajemności
od co najmniej trzystu lat.

Jest wachlarz — gdzie rumieńce?
Są miecze — gdzie gniew?
I lutnia ani brzęknie o szarej godzinie.

Z braku wieczności zgromadzono
dziesięć tysięcy starych rzeczy.
Omszały woźny drzemie słodko
zwiesiwszy wąsy nad gablotką.

Metale, glina, piórko ptasie
cichutko tryumfują w czasie.
Chichocze tylko szpilka po śmieszce z Egiptu.

Korona przeczekała głowę.
Przegrała dłoń do rękawicy.
Zwyciężył prawy but nad nogą.

Co do mnie, żyję, proszę wierzyć.
Mój wyścig z suknią nadał trwa.
A jaki ona upór ma!
A jakby ona chciała przeżyć!

Wisława Szymborska, em "Poemas – Wisława Szymborska". [seleção, tradução e prefácio Regina Przybycien]. Edição bilíngue: português-polonês. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Repenso o mundo














Repenso o mundo, segunda edição,
segunda edição corrigida,
aos idiotas o riso,
aos tristes o pranto,
aos carecas o pente,
aos cães botas.

Eis um capítulo:
A Fala dos Bichos e das Plantas,
com um glossário próprio
para cada espécie.
Mesmo um simples bom-dia
trocado com um peixe,
a ti, ao peixe, a todos
na vida fortalece.

Essa há muito pressentida,
de súbito revelada,
improvisação da mata.
Essa épica das corujas!
Esses aforismos do ouriço
compostos quando imaginamos
que, ora, está só adormecido!
O tempo (capítulo dois)
tem direito de se meter
em tudo, coisa boa ou má.
Porém — ele que pulveriza montanhas
remove oceanos e está
presente na órbita das estrelas,
não terá o menor poder
sobre os amantes, tão nus
tão abraçados, com o coração alvoroçado
como um pardal na mão pousado.

A velhice é uma moral
só na vida de um marginal.
Ah, então todos são jovens!
O sofrimento (capítulo três)
não insulta o corpo.
A morte
chega com o sono.

E vais sonhar
que nem é preciso respirar,
que o silêncio sem ar
não é uma música má,
pequeno como uma fagulha,
a um toque te apagarás.
Morrer, só assim. Dor mais dolorosa
tiveste segurando nas mãos uma rosa
e terror maior sentiste ao som
de uma pétala caindo no chão.

O mundo, só assim. Só assim
viver. E morrer só esse tanto.
E todo o resto — é como Bach
tocado por um instante
num serrote.


*
Em polonês:

Obmyślam świat


Obmyślam świat, wydanie drugie,
wydanie drugie, poprawione,
idiotom na śmiech,
melancholikom na płacz,
łysym na grzebień,
psom na buty.

Oto rozdział:
Mowa Zwierząt i Roślin,
gdzie przy każdym gatunku
masz słownik odnośny.
Nawet proste dzień dobry
wymienione z rybą
ciebie, rybę i wszystkich
przy życu umocni.

Ta, dawno przeczuwana,
nagle w lawie słów
inprowizacja lasu!
Ta epika sów!
Te aforyzmy jeża
układane, gdy
jesteśmy przekonani,
że, nic tylko śpi!

Czas (rozdział drugi)
ma prawo do wtrącania się
we wszystko czy złe, czy dobre.
Jednakże — ten, co kruszy góry,
oceany przesuwa i który
obecny jest przy gwiazd krążeniu,
nie będzie mieć najmniejszej władzy
nad kochankami, bo zbyt nadzy,
bo zbyt obojęci, z nastroszoną
duszą jak wróblem na ramieniu.

Starość to tylko morał
przy życiu zbrodniarza.
Ach więc wszyscy młodzi!
Cierpienie (rozdział trzeci)
ciała nie zniewala.
Śmierć,
kiedy śpisz, przychodzi.

A śnić bedziesz,
że wcale nie trzeba oddychać,
że cisza bez oddechu
to niezła muzyka,
jesteś mały jak iskra
i gaśniesz do taktu.

Śmierć tylko taka. Bólu więcej
miałeś trzymając róże w ręce
i większe czułeś przerażenie
widząc, że płatek spadł na ziemie.

Świat tylko taki. Tylko tak
żyć. I umierać tylko tyle.
A wszystko innejest — jak Bach
chwilowo grany
na pile.


Wisława Szymborska, em "Poemas – Wisława Szymborska". [seleção, tradução e prefácio Regina Przybycien]. Edição bilíngue: português-polonês. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Dias da Semana
























Amanhã é quinta-feira.
Se o mundo cumprir com suas obrigações,
depois de amanhã será sexta.
Se não, talvez possa mesmo ser domingo
e nunca ninguém saberá
onde se extraviou a nossa vida.



Days of the Week

Tomorrow is Thursday.
If the world meets its obligations,
the following day will be Friday.
If it doesn’t, it could even be Sunday,
and no one will ever guess
where our life got mislaid.


Piotr Sommer - tradução desconhecida

Pintura - Charles Amable Lenoir 1860–1926

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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