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Vivendo

















Busca-se a vida
Leva-se a vida.

... risonha folha
ao desfolhar-se
... rio desavisado
ao perder-se.

Indefinições
de uma lágrima
nunca formada
de um desejo
nunca afirmado
ou
de um sonho
de um sonho sonhado
mas nunca realizado.

Vida
deus ou fantasma
pensamento embaralhado
imaginação vazia
claridade e escuridão
comodidade ou desencontro
Tolerância apenas ...


Alvina Nunes Tzovenos - Palavras ao Tempo

E por que nós?



















Dentro de todos nós
há uma casa vazia
escura ou clara
translúcida de vida e morte
cheirando memórias de tempo.

Dentro de todos nós
há uma casa vazia . . .

de pranto e de paz e de luz
de risos e de tardes plenas de azul.

Dentro de todos nós
há uma casa vazia . . .

quando os braços da noite
dizem das coisas vividas e
falam com olhos de menino travesso
como se caracóis e caretas de palhaço
enfeitassem nossos desenganos.

Dentre de todos nós
há sempre uma casa vazia . . .



Alvina Nunes Tzovenos

E o Vento Levou


... em seu bojo pesado
de sóis e luas desfeitas
todas as máscaras de sonhos.

... no seu vestido cor de rosa
mais rosa que todas as rosas
a beleza branca de todas as horas.

... da ramagem crespa das folhas
folhas de ilusões
que se misturam
e tingem de gritos negros
a esperança dos que esperam.

... roubando um ar nostálgico
(ao ser o pior dos ladrões)
das manhãs poéticas
quando usam sandálias
da cor das lágrimas
da cor ao longe
dos barcos que partem.


Alvina Nunes Tzovenos - in Palavras ao Tempo

Buscando Horizontes















E o tempo me falou
em subir escadas
e lá em cima
encontrar entre cismas
o almejado.

E o tempo me ensinou
a colher flores expressivas
sem espinhos.

E o tempo
silenciando minha voz
tapando meus olhos
me ensinou a falar.

A falar que o sonho emudece
e a ensinar-me
que entre as rosas
eu encontraria verdes espinhos


Alvina Nunes Tzovenos - in Palavras ao Tempo

Longos Passos




















Sente-se na vidraça da alma
uma tênue luz e sombra
de velhos fantasmas
habitantes de nossas horas.

Sente-se a solitária solidão
a verter lágrimas
quando a hora tornou-se escrava
dos pensamentos.

Sente-se a voz fugidia e quente
das noites abandonadas
a falarem com ventos quebrados
quando o relógio apressou-se demais.

Sente-se a vida galopando
e a imitar andorinhas
que escondem seus olhos
porque fingem que não sentem
a vida passando . . .


Alvina Nunes Tzovenos - Palavras ao Tempo

Desencanto


E na tarde que foge
Ao correr vou buscá-la.
Contar-lhe todos meus sonhos
pedir sorrisos ao beijá-la.

Mas. . . silenciosa ela zomba
nem me estende suas mãos,
. . . já é fruto de sombra!

Quero luz! não sua morte.
Mas tão lenta e tão triste
. . . já pressente sua sorte.

Lá vai ela. . . pobre tarde
carregada em soluços.
Traz nas cores tantos mundos
. . . de um só mundo que parte!


Alvina Tzovenos

SER E NÃO SER


Estranho contraste
o do que somos na vida.
A natureza em resgate
descreve atraente cenário

do que não somos na vida.
E na vontade de ser
entre desígnios de um viver
eu só seria o que não sou.

. . . página colorida
a mais vivaz e bonita
de um Belo Livro,
. . . por onde a tristeza nunca passou. . .


Alvina Tzovenos


Monólogo















Há restos de tempos. . .
folhas soltas aos ventos
aos luares despertos.

Há restos de tempos. . .
noites lúgubres.
. . . momentos aos cantares da vida.

Há restos de tempos. . .
perdidos nos templos
das memórias aos sonhos.

Há restos de tempos.
em mim,
desfolhados, molhados.
. . . céus de chuvas sobre folhas
amarelas, esquecidas deformadas.


Alvina Tzovenos

Insônia


























É silencio na calçada.
A noite avança
e os meus olhos
cansados,
amigos das madrugadas,
buscam memórias
veladas.
Tristonha
debato-me no leito
qual ave ferida no peito.
Não vejo o que sinto
mas
sinto tudo o que vejo.


Alvina Nunes Tzovenos

Segmentos
























E o homem seguiu entre guizos falsos.
Trazia no rosto uma sofreguidão de charcos.


Era noite
e os fantasmas enlouquecidos não o deixavam seguir.


Assim
andarilho de madrugadas
homem de silêncios fartos
ele se enfatizou.


Riscou de seu rosto a mascara da vida.


Continuava só
e só, continuava em sua busca viscosa.


Já não era mais ele quem fremia
na porta dos bares vazios.


Era a nostalgia de seu espectro
que buscava carnavais de sorrisos.


Alvina Nunes Tzovenos

Aqueles que sonham




















onde colocam a esperança
onde perderam suas florestas
antes nunca habitadas

. . . nasceram com deuses e os cultivam em seus jardins.
não se nutrem de uma ciência cega.
suas praias dormem o sono morno das paisagens ao poente.
não sujam suas mãos com sombras falsas.
lêem a leitura das danças honestas.
são eternos aprendizes do amor.
não se assustam da obscuridade das horas inexatas.
não se impacientam com as noites silenciosas e extáticas.
possuem mascaras de luas, sois e estrelas.
não se limitam a horizontes incolores ou a versos sem humanidade.
subemtem-se a desembrulhar emoções matizadas de valores
gastos ou não.
sangram, quando chega tarde demais o amor,
ou, suas raízes não as adubam nunca.
despem-se da petrificação dos dias iguais.

Aqueles que sonham
amam demais e exigem demais
do amor, da vida e da morte.

Oh, aqueles que sonham. . .
são poetas a contradizerem-se.


Alvina Nunes Tzovenos

Vozes

















Grita o vento nos muros da noite
como reflexos de espelhos partidos.


Há um ruído de coisas magoadas
lembrando madrugadas enfermas.


O vento e o ruído acelerando cadencias
são como garças
em tardes eróticas.


Só as luzes se repetem.
Só os sons se beijam
em baladas insanas.


Há pegadas escondidas
entre alamedas tranqüilas
enquanto
o tédio, a busca e a lassidão
ainda se aninham.


Alvina Nunes Tzovenos

Analogia





















Torres de igreja
lembram
regressos próximos
ou alguém partindo
para não mais voltar.


Torres de igreja
lembram
o belo em sua pujança
almas em desespero por crenças
desafio de destinos
nunca cansaços ou incertezas.


Torres de igreja
lembram
flores que nunca fenecem
beijos que se eternizam
ou a fidelidade do mar
com palavras sem renuncia.


Alvina Nunes Tzovenos

Concerto de Passos

















Ouço passos
na calçada da ilusão
orquestra de um sonho.


Nuvens quentes
em concerto
brincam de Mozart, Chopin.


Em passos de concerto
o céu tornou-se cenário
palco festivo
de estrelas dançarinas
namorando a lua.


Solene e grave
a orquestra
veste-se de noite.


Há concertos de passos
passos de um concerto
a brincar de sonhos
-ela é nossa emoção.


Alvina Nunes Tzovenos

Aquarela poética





















no criar
artífice do verso sem dor ou não
declina-se num gesto materno demais.


círculos de brisa outonal
descrevem seus deuses em canto
em oração vigília
em abandono de paz.


no criar
alarga-se todos os azuis
e as estrelas custam a acordar
as pedras começam a falar
e o homem adquire alma.


arco-iris de todos os verbos
na beleza da fragilidade flor
a aquarela poética, geração-fruto
veste regatos sem a angustia dos tristes.


não há secos lagos
nem mortes desejando perfumes
nem manhãs sem ausência de estórias
nem fealdade na vida
porque o artista criou sem sombras.


Ele desenhou seus painéis sem falsidade
na crença de suas aquarelas fieis
na concordância de seus mares
sem mascara de mistérios libertos
na intenção das brisas sem disfarces.


Alvina Nunes Tzovenos

Poças d’água



















. . . poesia dançando nos campos da alma
na evocação da presença lagrima
a dormir na prece do vento irrequieto.


. . . murmúrio do amor que se deitou sozinho
na cama fria da desesperança
com saudade do abraço que aquece os corpos
do beijo a sussurrar promessas presença.


. . . procissão de vozes a se fazerem mar verde
de versos que o vento beija sem chorar
de ilhas virgens a não se deixarem tocar.


Poças d’agua
em meus olhos pisados de paisagens alagadas
inundados de todas as vivencias
vivencias de meus horizontes timidos
a repousarem sobre estradas gritantes.


Alvina Nunes Tzovenos

Descompassos


















Baila sob a luz das estrelas.
Desata o fio de teus sapatos.
Deixa que o sol te beije de esperanças e risos.
Faze de tua vida
um hino ao beijar os olhos da manhã
uma harpa ao por os pés no ventre da noite
um rodopio de azuis, de conchas e de búzios.


Deixa que o vento brinque com teus pés
a chuva te beije ate se cansar
as flores e os verdes e os caracóis
enfeitem teus cabelos de verões.


Corre atrás da vida com ternura de criança
e canções plenas de paz
e com risos de palhaços
porque tudo, todos nos
brincamos de viver bem
sempre, sempre
num carrossel
no circo da vida.


Alvina Nunes Tzovenos

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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