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Em Paz
















Perto do meu ocaso, eu te bendigo, ó Vida,
porque nunca me deste esperança falida
nem injusto trabalho ou pena imerecida;

porque, chegando ao fim de minha rude estrada,
vejo que arquitetei minha própria jornada;
que se os méis ou o fel eu extraí das cousas
foi que nelas pus mel ou biles amargosas:
se roseiras plantei, não colhi senão rosas.

Às minhas florações vem já render o inverno;
mas não te ouvi dizer que maio fosse eterno!
Longas noites velei em meio a acerbas penas;
mas quem me prometeu noites boas apenas?
E algumas tive, enfim, santamente serenas...

Sorriu-me o sol, amei e fui amado assaz.
Nada me deves, pois: Vida, estamos em paz!



EN PAZ

Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida.

Porque veo al final de mi rudo camino
que yo fuí el arquiteto de mi propio destino;
que si extraje las mieles o la hiel de las cosas
fué porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales, coseché siempre rosas.

Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno;
¡mas tu no me dijiste que Mayo fuese eterno!
...Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tú solo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...

Amé, fuí amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos em paz!

Amado Nervo - Poemas selectos de Amado Nervo. Selección Enrique González Martínez. Ciudad de México: Frente de Afirmación Hispanista, 2015. 175 p. 14x21 cm. Portada: Amado Nervo, grabado publicado en 1920. Ex. bibl. Antonio Miranda
Tradução: Anderson Braga Horta

A Nuvem













Para onde foste, Amor, e me deixaste?
Extinguiu-se no poente o manso fogo,
e tu, que me dizias: “Até logo!
voltarei pela noite!” — não voltaste!

Em que sarça o divino pé magoaste?
Que muro te ensurdece de meu rogo?
Que neve pôde congelar-te o afogo
e a memória daquele a quem amaste?

…Amor, já não virás! Em vão, ansioso,
da minha porta, em atalaia, vivo
aos verdes campos e ao confim brumoso;

E me parece um “stratus” fugitivo
— nave de luz, em que, ao final repouso
vai teu doce fantasma pensativo.



El Celaje

Adónde fuíste, Amor, adónde fuíste?
Se extinguió del poniente el manso fuego
y tú, que me decías “Hasta luego,
volveré por la noche”… no volviste!

En que zarzas tu divino pie heriste?
Qué muro cruel te ensordeció a mi ruego?
Qué nieve supo congelar tu apego
y a tu memoria hurtar mi imagen triste?

…Amor, ya no vendrás! En vano, ansioso
de mi balcón atalayando vivo
el campo verde y el confín brumoso;

y me finge um celaje fugitivo,
nave de luz em que, al final reposo
va tu dulce fantasma pensativo.

4/9/1915


Amado Nervo


Espaço e Tempo


















   Espaço e tempo, barras
da cela
em que a ânima, princesa
encantada,
está fiando, fiando, próximo
às janelas dos olhos (as únicas
aberturas por onde
tende a aflorar, lânguida)

   Espaço e tempo, barras
da cela;
logo as rompereis, e talvez
de imediato, porque cada
mês, hora, instante, corroem-nas
e o pássaro de ouro
perscruta uma fenda para estender as asas!

   A princesa, ladina,
finge fiar; porém aguarda
que uma grade se rompa...
Enquanto que às distantes
estrelas diz: – Amigas,
estendei-me vossa escada
de luz sobre o abismo...

    E as estrelas pálidas
lhe respondem: – Espera,
espera, irmã,
e apresta os teus esforços:
já estendemos a escada.



Espacio y tiempo

   Espacio y tiempo, barrotes
de la jaula
en que el ánima, princesa
encantada,
está hilando, hilando, cerca
de las ventanas
de los ojos (las únicas
aberturas por donde
suele asomarse, lánguida).

   Espacio y tiempo, barrotes
de la jaula;
ya os romperéis, y acaso
muy pronto, porque cada
mes, hora, instante, os mellan,
¡y el pájaro de oro
acecha una rendija para tender las alas!

   La princesa, ladina,
finge hilar; pero aguarda
que se rompa una reja...
En tanto, a las lejanas
estrellas dice: – Amigas,
tendedme vuestra escala
de la luz sobre el abismo...

   Y las estrellas pálidas
le responden: – Espera,
espera, hermana,
y prevén tus esfuerzos:
ya tendemos la escala.


Amado Nervo
Espacio y tiempo. In: PRADA, Carlos García (Comp.). Poesía de España y América. Tomo II. Madrid, ES: Ediciones Cultura Hispánica, 1958. p. 648-649.

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

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