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Noite
Deito,
no límpido lenço
passado pelo sol
que esconde
a maçã podre
do colchão de sua cinza.
Estou nas palmas enormes da noite
que se ergueram
e esqueceram a oração.
E elas seguram,
cabide de meus melhores panos,
o abacate verde de meu corpo
que jamais se envelhecera
com minha teimosia venenosa
com a cobertura do cromo de meu verniz
de chegar sempre mais jovem
no salão
do azul da noite
porque era lá
que me ouvia
com o palmo da terra
em minha orelha.
E me flertava,
apaixonado, por ela e dela.
Eu nunca quis me decepcionar.
Lucas Alvim - Poemas de "Contorcionismo" (Editora Penalux, 2016).
XXIII
Aperto um chumaço de interior.
Não tive destino plástico mercado.
Não me acordo relógio, minhas paredes derramam cabelos.
O azeite serrano cavalo está joelho.
Um ronco de pétalas mortas esperam coroas.
Lagarto, lisas pedras escuras cemiteriam várzeas águas.
Tudo se acaba no pastar da noite, na sua boca vertical.
Me surdam o bater de portas madeiras, seus dentes ferros rangeram-nos velhos.
Fantasmam névoas na mata noite, sua geometria de poeira fria se arma.
Para deter beijo deleite o passo marulho dos peitos derramados.
Para se metal paralisar o desespero de besouros mortos.
A folhagem se renova.
E bicam meus colos frutos.
Queimo estralares de uma roda.
Fervência da nervura deslineariedade pirilampa.
Meus ombros represam rolos fogo de asas chumbo.
Ditirambos pulsos larvam meu rosto sobre as superfícies vegetais.
Para me acordar encachoeirado
arrastando sob sua boca vertical.
Lucas Alvim
Não tive destino plástico mercado.
Não me acordo relógio, minhas paredes derramam cabelos.
O azeite serrano cavalo está joelho.
Um ronco de pétalas mortas esperam coroas.
Lagarto, lisas pedras escuras cemiteriam várzeas águas.
Tudo se acaba no pastar da noite, na sua boca vertical.
Me surdam o bater de portas madeiras, seus dentes ferros rangeram-nos velhos.
Fantasmam névoas na mata noite, sua geometria de poeira fria se arma.
Para deter beijo deleite o passo marulho dos peitos derramados.
Para se metal paralisar o desespero de besouros mortos.
A folhagem se renova.
E bicam meus colos frutos.
Queimo estralares de uma roda.
Fervência da nervura deslineariedade pirilampa.
Meus ombros represam rolos fogo de asas chumbo.
Ditirambos pulsos larvam meu rosto sobre as superfícies vegetais.
Para me acordar encachoeirado
arrastando sob sua boca vertical.
Lucas Alvim
Resmungo minha solidão de mundo.
De vida desfeita, me solto no que me rarefeita.
Qual arvore escurecerá a noite?
Não há ópio que opina.
Pó de memórias ruínas.
Ou flecha que me deserda.
De quinas esquinas
me espera sem cabeça
minha primeira pessoa.
Está no esôfago
de vossa excelência,
procurando emergir
pintada a estibordo
de planos de enganos.
A se decorar
ou a se esquecer?
Não há saída,
apenas a curtida
em melífluo uivo
entre as pernas.
E partem
procurando por minúsculas
pontes e gerúndios
que deslize e sorria
músicas de músculos
algas cabeleiras negras.
E a noite se sexa
servindo deste diafragma
de ar telúrico,
para nossa espécie
que resmunga a solidão de mundo.
Lucas Alvim
Hermético
Em minhas pradarias
não praias
desceu a espuma láctea
do cheiro melancólico de um mar,
agora distante e subterrâneo.
O seu metal dura
dura mais que qualquer uva
mais que seu trilho
mais que sua ferrugem
mais que seu calor fosco
ombro de seu lombo
eco de sua ecologia
cristalizada.
É difícil rompê-lo
tento sujá-lo, para que não brilhe
em meus ossos desertores
transformando-me na terra
que me enterra
e me protege do nu frio
do céu vertical
de mil cavalos.
Basta me acostumar,
hirsuto e fastio,
me comprimindo
no comprimido
que juntou suas fendas internas
e removeu seu ar,
transpirando,
para tomar com um copo d'água,
antes de dormir.
Lucas Alvim
Pinturas da cidade
O dia se fecha às luzes apavoradas
O concreto das faces dança no gelo
Tropas e embarcações fantasmas
A guerra de álcool e sexo,
Gritos, redemoinhos e postes no caos
Neons misteriosos de bruxarias eternas
Tudo se redescobre na brisa fria
Putas cultas e mulheres tão tolas
Os carros engolem as ruas
Com seu plástico metálico, pneu de asfalto
Os palhaços se aglomeram
As visões se atropelam
Tolos em volta do fulgor dos copos
E da falsa promessa terna
Somente interessa seu líquido escuro
Ofuscado por um simples levantar
E a cabeça procura...
Horizontes de todos os lados
Os perfumes liberam as peles: o cheiro
O ar tão colorido e palpável
O cachaceiro, o cachorro, os círculos tribais
Segredos da visão ébria
Desenhos mortais e moribundos
Perdidos na enchente de ar antigo
As figuras conversam comigo
Nobres e fugazes,
Contam histórias enterradas
Almas quebradas, livres para irem
Para um lugar onde nunca estive
Enquanto escoro meu estúpido corpo
Mas aceno e ergo sorrisos,
Feliz por partirem
A eterna seiva de vida
A todos nessa jornada,
De uma noite jorrada
Nos canais da cidade.
Esfrio os ossos e abro as pupilas
Estou bem no meio do caminho
Soa a ponte no corredor
Das pinturas da cidade.
Lucas Alvim
Tropas e embarcações fantasmas
A guerra de álcool e sexo,
Gritos, redemoinhos e postes no caos
Neons misteriosos de bruxarias eternas
Tudo se redescobre na brisa fria
Putas cultas e mulheres tão tolas
Os carros engolem as ruas
Com seu plástico metálico, pneu de asfalto
Os palhaços se aglomeram
As visões se atropelam
Tolos em volta do fulgor dos copos
E da falsa promessa terna
Somente interessa seu líquido escuro
Ofuscado por um simples levantar
E a cabeça procura...
Horizontes de todos os lados
Os perfumes liberam as peles: o cheiro
O ar tão colorido e palpável
O cachaceiro, o cachorro, os círculos tribais
Segredos da visão ébria
Desenhos mortais e moribundos
Perdidos na enchente de ar antigo
As figuras conversam comigo
Nobres e fugazes,
Contam histórias enterradas
Almas quebradas, livres para irem
Para um lugar onde nunca estive
Enquanto escoro meu estúpido corpo
Mas aceno e ergo sorrisos,
Feliz por partirem
A eterna seiva de vida
A todos nessa jornada,
De uma noite jorrada
Nos canais da cidade.
Esfrio os ossos e abro as pupilas
Estou bem no meio do caminho
Soa a ponte no corredor
Das pinturas da cidade.
Lucas Alvim
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