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Viver o Simples
E achava que da vida minha sina,
Era viver invisível neste mundo,
E não conhecia nada de profundo,
Emoções incalculáveis, desmedidas.
E acreditando passar despercebida
Por cenários repetidos, rotineiros,
Não me pressentia do fim derradeiro
Que de mim se aproximava prometida.
Prometida estava a morrer em mim
Essa cegueira da alma, o não ver,
Coisas que são mascaradas pela dureza.
Por que quando a tristeza teve fim
Pude nas pequenas coisas perceber,
Que é nelas que se encontra a beleza.
Andréia Pariz
Publicado no Recanto das Letras em 27/01/2011
Código do texto: T2755652
Soneto do Olhar Puro
Mas ora, (me dirás) por que criança?
Por que agir de modo infantil?
E eu te direi que ao ver o céu anil,
Ainda vejo nele a esperança.
Que ao acordar prefiro ver o novo,
Em coisas muito antes conhecidas,
Por que o olhar de outra perspectiva,
Traz outras descobertas que absorvo.
E responderás: Mas que disparate!
Por que ver coisas simples com surpresa,
És louca? Responda-me, com franqueza.
Veja bem, (Te direi em meu rebate)
O que nos cega, adultos, é a rudeza,
E o novo está no olhar que tem pureza.
Andréia Pariz
Publicado no Recanto das Letras em 03/02/2011
Código do texto: T2770456
Olhar desnudo
Os olhos que me seguem, suplicantes,
Invadem no meu íntimo o mais oculto,
Desejo, e escancara todo o intuito,
Meu peito desenfreia saltitante.
Parece expor minha carne desnuda,
E do meu ego, recôndito segredo,
Anseios, revelando quais quer medos,
E tremo aqui por dentro, perplexa, muda.
No encontro de nossos olhos desconfio,
Que lês através dos meus, meticuloso,
E desse transparecer tira proveito...
E lendo em meus gestos aquilo que envio,
De mim faz jogatina, orgulhoso,
Sabendo o que guardo aqui no peito.
Andréia Pariz
Publicado no Recanto das Letras em 11/01/2011
Código do texto: T2722269
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