Sobre estas duras
Sobre estas duras, cavernosas fragas,
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n'alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas.
Razão feroz, o coração me indagas,
De meus erros e sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando,
e vendoDe agudas ânsias venenosas chagas.
Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objectos de horror co'a ideia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo.
Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.
Bocage
Assinar:
Postar comentários (Atom)
O Tempo seca o Amor
O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...
Nos últimos 30 dias.
-
I Em seu grave rincão, dois jogadores Regem peças, sem pausa. O tabuleiro Os prende até a aurora no certeiro Âmbi...
-
Como posso, então, retomar o feliz sofrimento Ao ser impedido da bênção do descanso, Quando a opressão do dia nã...
-
azulejos brancos cardumes de passos anoitecidos no canto da varanda por onde formigas brotam como fachos negros e canibaliza...
-
É o vento que vem uivando pelas frinchas do infinito é o vento que vem gemendo na espinha do plenilúnio é o vento...
-
Eu desço dessa solidão Espalho coisas Sobre um Chão de Giz Há meros devaneios tolos A me torturar...
-
Te criei como crio tantos personagens Pus em você pitadas de festim Te fazia dançar feliz nos sonhos Pus em você ...
-
O jardim azevinho - Claude Monet 1877 No meu grande otimismo de inocente, Eu nunca soube ...
-
Para explicar os excessos do meu irmão a minha mãe dizia: está na mudança de idade. Na altura, eu não...
-
Cansado do trabalho, corro ao leito Para repousar meus membros exaustos de viagem; No entanto, inicia-se uma jo...
-
Todo o tempo é de poesia. Desde a névoa da manhã à névoa do outro dia. Desde a quentura do v...

Nenhum comentário:
Postar um comentário