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Descoberta
Como se tocá-la fosse capaz
de torná-lo conhecido a si mesmo,
como se o deslizar de sua mão
sobre o corpo dela pudesse revelar quem
ele é, como se ele a penetrasse, um país
percorrido por sua mão a descoberto,
como se tal país despontasse
continuamente à frente dela
para encontrar-se com sua mão a expandir os limites.
E os lugares em seu corpo não têm nomes.
Ela é a imensidão no correr da noite.
E suas roupas no chão estão dispostas
ao esquecimento.
Em inglês:
Dwelling
As though touching her
might make him known to himself,
as though his hand moving
over her body might find who
he is, as though he lay inside her, a country
his hand’s traveling uncovered,
as though such a country arose
continually up out of her
to meet his hand’s setting forth and setting forth.
And the places on her body have no names.
She is what’s immense about the night.
And their clothes on the floor are arranged
for forgetfulness.
Li-Young Lee
LEE, Li-Young. Dwelling. In: McCLATCHY, J. D. (Ed.). The vintage book of contemporaryamerican poetry. 2nd ed. New York, NY: Vintage Books (A Division of Random House Inc.), march 2003. p. 585.
Travesseiro
Vozes nas árvores, as páginas desaparecidas
do mar.
Tudo exceto o sono.
E a noite é um rio a unir
os bancos da fala e da escuta,
uma fortaleza, indefesa e inviolável.
Não há nada que ali não se encaixe:
fontes obstruídas com lama e folhas,
as casas de minha infância.
E a noite começa quando os dedos de minha mãe
soltam o fio
que eles atam e desatam
para tocar a borda de nossa desgastada história.
A noite é a sombra das mãos do meu pai
ajustando o relógio para a ressurreição.
Ou está o relógio desenredado, os números esvoaçados?
Nada há que não tenha encontrado lá em casa:
asas descartadas, sapatos perdidos, um alfabeto em frangalhos.
Tudo exceto o sono. E a noite se inicia
com o primeiro jasmim
decepado, quando, enfim, sua fragrância cativa
libera-se das roupas mortuárias.
There’s nothing I can’t find under there.
Voices in the trees, the missing pages
of the sea.
Everything but sleep.
And night is a river bridging
the speaking and the listening banks,
a fortress, undefended and inviolate.
There’s nothing that won’t fit under it:
fountains clogged with mud and leaves,
the houses of my childhood.
And night begins when my mother’s fingers
let go of the thread
they’ve been tying and untying
to touch toward our fraying story’s hem.
Night is the shadow of my father’s hands
setting the clock for resurrection.
Or is it the clock unraveled, the numbers flown?
There’s nothing that hasn’t found home there:
discarded wings, lost shoes, a broken alphabet.
Everything but sleep. And night begins
with the first beheading
of the jasmine, its captive fragrance
rid at last of burial clothes.
Li-Young Lee
LEE, Li-Young. Pillow. In: McCLATCHY, J. D. (Ed.). The vintage book of contemporary american poetry. 2nd ed. New York, NY: Vintage Books (A Division of Random House Inc.), march 2003. p. 583-584.
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