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Mercado dos Lavradores
























Desobedece às flores,
como quem vai morrer.
Arrumam as entranhas
de espada negro, enquanto
uma mangueira firme
varre da infância
todos os que já partiram:

Gregório, Isaías, João,
alguns outros mais.
Nos bares em volta,
nas bancas de raspadinha,
procuras – mas não encontras –
o esquecimento.


Isso mesmo, o esquecimento.



Manuel de Freitas

Barreirinha

















De repente, pai, entre
o silêncio de duas ondas,
ouvimos a única pergunta:

quantas vezes
ainda nadaremos juntos?



Manuel de Freitas - in Boa Morte, edição de autor, 2008

Versos soco de um amigo

















O tempo, esse pequeno escultor,
prolongou-te os gestos
até à exaustão, ao limite do escárnio,
ao inoportuno reclame daquele
que vai morrer e não morre
e fala demasiado sobre o silêncio do seu grito.

Paciência. Não poderia ter sido de outra
maneira. Há uma infância parada,
onde o cadáver de deus
nada quer dizer. Sim, tem chovido muito.
Mas que saberá destas mesmas horas
o gato negro que a tua mão já não encontra?

Deténs-te, usas palavras vãs, despedes-te.
Sabes que foi sempre assim.


Manuel de Freitas

O Tempo seca o Amor

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...

Nos últimos 30 dias.