Para onde foste, Amor, e me deixaste?
Extinguiu-se no poente o manso fogo,
e tu, que me dizias: “Até logo!
voltarei pela noite!” — não voltaste!
Em que sarça o divino pé magoaste?
Que muro te ensurdece de meu rogo?
Que neve pôde congelar-te o afogo
e a memória daquele a quem amaste?
…Amor, já não virás! Em vão, ansioso,
da minha porta, em atalaia, vivo
aos verdes campos e ao confim brumoso;
E me parece um “stratus” fugitivo
— nave de luz, em que, ao final repouso
vai teu doce fantasma pensativo.
El Celaje
Adónde fuíste, Amor, adónde fuíste?
Se extinguió del poniente el manso fuego
y tú, que me decías “Hasta luego,
volveré por la noche”… no volviste!
En que zarzas tu divino pie heriste?
Qué muro cruel te ensordeció a mi ruego?
Qué nieve supo congelar tu apego
y a tu memoria hurtar mi imagen triste?
…Amor, ya no vendrás! En vano, ansioso
de mi balcón atalayando vivo
el campo verde y el confín brumoso;
y me finge um celaje fugitivo,
nave de luz em que, al final reposo
va tu dulce fantasma pensativo.
4/9/1915
Extinguiu-se no poente o manso fogo,
e tu, que me dizias: “Até logo!
voltarei pela noite!” — não voltaste!
Em que sarça o divino pé magoaste?
Que muro te ensurdece de meu rogo?
Que neve pôde congelar-te o afogo
e a memória daquele a quem amaste?
…Amor, já não virás! Em vão, ansioso,
da minha porta, em atalaia, vivo
aos verdes campos e ao confim brumoso;
E me parece um “stratus” fugitivo
— nave de luz, em que, ao final repouso
vai teu doce fantasma pensativo.
El Celaje
Adónde fuíste, Amor, adónde fuíste?
Se extinguió del poniente el manso fuego
y tú, que me decías “Hasta luego,
volveré por la noche”… no volviste!
En que zarzas tu divino pie heriste?
Qué muro cruel te ensordeció a mi ruego?
Qué nieve supo congelar tu apego
y a tu memoria hurtar mi imagen triste?
…Amor, ya no vendrás! En vano, ansioso
de mi balcón atalayando vivo
el campo verde y el confín brumoso;
y me finge um celaje fugitivo,
nave de luz em que, al final reposo
va tu dulce fantasma pensativo.
4/9/1915
Amado Nervo
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