Soneto LXVI
Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.
Quero-te apenas porque a ti eu quero,
a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,
e a medida do meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego.
Consumirá talvez a luz de Janeiro,
o seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história apenas eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.
Pablo Neruda
Assinar:
Postar comentários (Atom)
O Tempo seca o Amor
O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...
Nos últimos 30 dias.
-
Quando você foi embora fez-se noite em meu viver Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar Minha casa não ...
-
Querida, ao pé do leito derradeiro Em que descansas dessa longa vida, Aqui venho e virei, pobre querida, Trazer-te o c...
-
A dolorosa e lenta refeição do velho. Sopas e papas insepultas voracidade morta lassa obrigação de alimentar. S...
-
O coração, uma bomba pulsante diante do hálito da carne Radiante, se esconde no crepúsculo da tarde Os olha...
-
Vivo sempre a seguir-te em toda a parte A todo o tempo, a todo o transe e em tudo; E tanto mais me esforço em procurar-t...
-
Talvez não ser, é ser sem que tu sejas, sem que vás cortando o meio dia com uma flor azul, sem que caminhes mais ...
-
Toda esta noite o rouxinol chorou, Gemeu, rezou, gritou perdidamente! Alma de rouxinol alma da gente, Tu és, talvez, al...
-
Um dia frio Um bom lugar prá ler um livro E o pensamento lá em você Eu sem você não vivo Um dia triste Toda f...
-
Passando aqui só para ver o meu amor bailando nos compassos de tua canção tão doce que pareço o meu feliz canto...
-
Sabes que é Deus?! Esse infinito e santo Ser que preside e rege os outros seres, Que os encantos e a força dos poderes ...

Nenhum comentário:
Postar um comentário