Noite
Deito,
no límpido lenço
passado pelo sol
que esconde
a maçã podre
do colchão de sua cinza.
Estou nas palmas enormes da noite
que se ergueram
e esqueceram a oração.
E elas seguram,
cabide de meus melhores panos,
o abacate verde de meu corpo
que jamais se envelhecera
com minha teimosia venenosa
com a cobertura do cromo de meu verniz
de chegar sempre mais jovem
no salão
do azul da noite
porque era lá
que me ouvia
com o palmo da terra
em minha orelha.
E me flertava,
apaixonado, por ela e dela.
Eu nunca quis me decepcionar.
Lucas Alvim - Poemas de "Contorcionismo" (Editora Penalux, 2016).
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