Aos senhores da ocasião e da guerra
A vós, que me despejastes
nesta loucura sem telhas
e neste chão de desastres,
acaso devo ajoelhar-me
e bendizer as cadeias ?
E ser aquele que acata
as ordens e ser aquele,
apaziguado e cordado,
preso às aranhas e às teias.
Levando o sim em uma das mãos
e o não noutra, rastejante
aos senhores da ocasião
e da guerra. Ser no chão,
o inseto e sua caverna ?
Corrente serei
no recuo das águas.
Resina aos frutos do exílio.
Espúrio entre as bodas.
Resíduo.
Até poder elevar-me
com a força de outras asas,
para os meus próprios lugares.
A vós, que me despejastes
nesta loucura sem telhas
e neste chão de desastres,
com a resistência das penas,
aceitarei o combate.
Carlos Nejar
Assinar:
Postar comentários (Atom)
O Tempo seca o Amor
O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...
Nos últimos 30 dias.
-
I Em seu grave rincão, dois jogadores Regem peças, sem pausa. O tabuleiro Os prende até a aurora no certeiro Âmbi...
-
É o vento que vem uivando pelas frinchas do infinito é o vento que vem gemendo na espinha do plenilúnio é o vento...
-
Tempo, vais para trás ou para diante? O passado carrega a minha vida Para trás e eu de mim fiquei distante, ...
-
Aos que falharam, grandes na aspiração, aos soldados sem nome caídos na vanguarda do combate, aos calmos e esfor...
-
E assim se fez verbo o dom da palavra para repartir-se porque ele era só. Da vértebra curva veio para ouvi...
-
O metrô vai Carregado de rostos Este tem uma bolsa E uma conta para pagar Aquele tem uma lembrança Não quer lembrar Mas o...
-
Sou o dos desesperos enfadados. Há na minh’ alma hortências a fluir. Se eu pudesse deixar os meus cuidados Ia-me repousar, ...
-
Como posso, então, retomar o feliz sofrimento Ao ser impedido da bênção do descanso, Quando a opressão do dia nã...
-
Nada me dês nem peças. E não meças O que podias dar e receber. Fecha a própria riqueza do teu ser. Um de nó...

Nenhum comentário:
Postar um comentário