O Sobrevivente
o ar quente que sai do teu decote
a vida espontâneamente espera a morte
os lábios que falam como chicote
os corpos açucarados num fricote
na vida sobrevivem os fortes
não para essa de azar ou sorte
limpei as feridas, curei os cortes
todo time tem seu mascote
II
o cumprimento da tua minissaia
o infortúnio da vaia
a marcação da raia
a mordida da lacráia
a arte dos indios Maias
a febre da malária
nem todos são da mesma laia
nem todos vestem uma mesma malha
III
veja essa onda de livre umbigo
produto de desejo antigo
para palavras não ligo
não resolvem... não são meu abrigo
quantas dores sem amigos
quanta fome sem trigo
esta saudade que levo comigo
de tudo que deixei contigo
IV
a impotência é o maior aleijo
qual o valor de um beijo?
qual o sabor de um queijo?
o que sonho? o que almejo?
tudo é quanto tão vejo?
são quentes os desejos
desordens que antevejo
nascem de um simples gracejo
V
procuro de tudo um sinal
tão simples e irracional
tão chulo e tão banal
para sintonia ou canal
me ensine o bem e o mal
me ensine o sensacional
traduza para meus olhos o fatal
antes que me cale com o final
Henrique Rodrigues Soares - A Natureza das Coisas
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