Soneto V
Ao sol do meio-dia eu vi dormindo
Na calçada da rua um marinheiro,
Roncava a todo o pano o tal brejeiro
Do vinho nos vapores se expandindo!
Além um espanhol eu vi sorrindo,
Saboreando um cigarro feiticeiro,
Enchia de fumaça o quarto inteiro...
Parecia de gosto se esvaindo!
Mais longe estava um pobretão careca
De uma esquina lodosa no retiro
Enlevado tocando uma rabeca!...
Venturosa indolência! não deliro
Se morro de preguiça... o mais é seca!
Desta vida o que mais vale um suspiro?
Álvares de Azevedo
Assinar:
Postar comentários (Atom)
O Tempo seca o Amor
O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a ...
Nos últimos 30 dias.
-
I Em seu grave rincão, dois jogadores Regem peças, sem pausa. O tabuleiro Os prende até a aurora no certeiro Âmbi...
-
Como posso, então, retomar o feliz sofrimento Ao ser impedido da bênção do descanso, Quando a opressão do dia nã...
-
azulejos brancos cardumes de passos anoitecidos no canto da varanda por onde formigas brotam como fachos negros e canibaliza...
-
É o vento que vem uivando pelas frinchas do infinito é o vento que vem gemendo na espinha do plenilúnio é o vento...
-
Eu desço dessa solidão Espalho coisas Sobre um Chão de Giz Há meros devaneios tolos A me torturar...
-
Te criei como crio tantos personagens Pus em você pitadas de festim Te fazia dançar feliz nos sonhos Pus em você ...
-
O jardim azevinho - Claude Monet 1877 No meu grande otimismo de inocente, Eu nunca soube ...
-
Para explicar os excessos do meu irmão a minha mãe dizia: está na mudança de idade. Na altura, eu não...
-
Cansado do trabalho, corro ao leito Para repousar meus membros exaustos de viagem; No entanto, inicia-se uma jo...
-
Todo o tempo é de poesia. Desde a névoa da manhã à névoa do outro dia. Desde a quentura do v...

Nenhum comentário:
Postar um comentário