Soneto
Estamos sós... Embora o ventre e o peito,
à vida oferecessem seu alento.
E fosse o fruto amado e bem aceito...
Fosse o carinho sem comedimento.
Estamos sós.. O que foi tão mal feito,
causamos, nós, tamanho rompimento?
Se nosso coração é amor-perfeito,
que abriga, acolhe, cuida... Sem lamento?
Se os filhos são a bênção do Senhor,
heranças vindas do divino amor...
Adultos... Nos contemplam com frieza?
Por quê já não mais lembram do acalanto,
que deles foi o riso e foi o pranto...
Por quê nos abandonam à tristeza?
Patrícia Neme
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