NA MANHÃ DO DIA SEGUINTE












Vestígios da vigília
da noite passada nos meus bocejos
Espasmo involuntário do teu corpo
Tua pouca roupa denuncia a apneia
Eu te rapto
numa atividade ininterrupta
e quando ainda é madrugada
já atrasado, levanto cedo
Ao me desvencilhar olho teus seios
A seda dos lençóis cobre teu dorso
das pernas se desfaz o entrelace
A mente quase lúcida ali parte
O meu "bom dia" tem a energia
de algumas horas antes
Alerto que tua fuga
me parece inútil
Tua cabeça confusa
na hora da pane
só repete o mantra
"A gente ainda vai..."
Ignorar o expediente
porque o corpo quando pega fogo
é o mais faminto pedinte
O sono só aparece quando não deve
Na manhã do dia seguinte
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