JOGO QUASE TUDO FORA
















Jogo quase tudo fora
preciso esvaziar
as gavetas da cabeça
pra que cresçam logo
novos pensamentos
assim como plantas

Preciso me livrar das bugigangas
desertar o quarto e o guarda-roupa
como uma mudança interna
enterrar o que não serve
garimpar o que é preciso
e que o resto seja lixo

Sou gari dos meus acúmulos
dos estímulos que se empilham
das expectativas frustradas
dos projetos que vegetam
todo a obsolescência
que não angaria nada

Jogo quase tudo fora
por mais que me fira
renovar a estrutura
ou mera desculpa
pra tentar tudo de novo
pra consertar o erro
pra ver se não me ferro
na próxima tentativa

Jogo quase tudo fora
até a mim mesmo
por mais que seja duro
pra que o amanhã seja
um esboço dos resquícios do passado
ou um ensaio com alentos pro futuro

Alan Salgueiro
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