TUDO COMBINADO












Combinei com as cortinas
pra que elas se abrissem
e interagissem fazendo teatro
com os seus olhos, num final de tarde
pra que o pôr-do-sol fosse
o principal dos atos
e o alaranjado
refletido feito
lentes de contato
em contraste
aos teus semi-verdes
naturais verdades
Combinei com as pedras
para que guardassem segredos
Pedi que fossem todas observadoras
como aquelas que espiam do alto
as águas que tentam furá-las
como se as alas abrissem
o caminho de um sonhador
e a gente chegasse sem escorregar
no topo do Arpoador
Combinei com a rotina
o tempo e o roteiro
pra que não houvesse
nenhum imprevisto
e se acontecesse isso
de usar o improviso
que você gostasse
e que a gente gastasse o beijo
até os corpos ficarem fartos
em puro desgaste físico
Combinei com o acaso
que a gente combinaria
ao menos num fim de semana
ainda que fosse único
que houvesse consensos e sonhos
que houvesse turismo e descobertas
que não houvesse coberta
e que os ventiladores testemunhassem
nosso sono conjunto

Alan Salgueiro


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