O homem que vinha ao entardecer


Falava com devagar, ajeitando as
palavras. Falava com cuidado,
houvesse lume entre as palavras.

Chegava ao entardecer, os sapatos
cheios de terra vermelha e do perfume
dos matos.

Cumpria rigorosamente os rituais.
Batia primeiro as palmas (junto
ao peito)
Depois falava.
Dos bois, das lavras, das coisas
simples do seu dia-a-dia. E todavia
era tal o mistério das tardes quando
assim falava

que doía.



José Eduardo Agualusa, em "O coração dos bosques". 1991.
Postar um comentário

Soneto XIX

Tempo voraz, corta as garras do leão, E faze a terra devorar sua doce prole; Arranca os dent...