QUE NÃO HAJA NADA QUE NOS ACONTEÇA

















Quem é que dá as cartas:
É a própria natureza
O que o sistema nos oferta
Aqueles que nos governam
Quem é que dita as regras?

Quem é que determina
Quem é que monitora
quando a cidade pára
quando o povo perde a hora

A força estática versus o caminho alternativo
Os atalhos onde ainda não se instala o caos urbano
Onde não há rios transbordados
Transpassa-se uma carta da manga

Mas a manga já está encharcada
Manda alguém ligar
pra comunicar o atraso
Terá mais alguém ilhado?
Já chegaram no trabalho?
Eu parado, dois de paus, só olho

O desespero
A sirene dos bombeiros
Barricada em via expressa
O vidro que embaça
e o suor da janelas fechadas
A frase que mais ouço
"Tá tudo parado!"

Nos emparelham
Nos emparedam
Nos embaralham
Somos meros naipes
nas mesmas manchetes
em que as autoridades declaram
nunca terem visto
esse níveis pluviométricos

que não haviam
testemunhado antes
cenas tão dantescas
nunca é culpa deles

Jogo de revolta e paciência
Observo os quase submersos
não há trunfo
com cartas marcadas

O triunfo é chegar em casa
que não seja a barco
que não seja a nado
que não haja nada que nos aconteça


Alan Salgueiro
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