Minha cabeça é um cais em delírio
aceso no olho do sol
e no olho da lua
ancoradouro de vozes, cantos e voos
é  apenas  o centro de um corpo líquido
cujo horizonte não é fio mas contorno
e tudo é margem á espera de chegadas
e partidas

o mundo move-se dentro dela
ilha de espantos
onde tudo acorda e dorme num relógio sem horas
pássaros caem em queda livre para nadar
peixes roubam suas asas para voar
e uma pedra desabrocha na flor da água...

é quando o poema rompe a fina película
de uma atônita realidade
para voar sobre edifícios e pessoas

jogando sobre eles suas plumas de sonhos.


Wanda Monteiro
Postar um comentário