Interdito





















De mãos em punho
O Passado
Chega a cada instante
E investe contra meu peito


O Passado é o murro que me açoita


A cada açoite
A face do Presente evanesce
O futuro a recolhe
Sorvendo-a
Roubando-me o Meio


O Tempo erra-me
Decreta-me
Interdito!


Sou apenas um patético corpo
Orgânico
E hipotético de uma história inacabada


Existência fadada à eternidade etérea da
memória
Povoada por fantasmas


Eu perdi meu itinerário
No interlúdio melancólico da Saudade


Wanda Monteiro
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