Soneto XXXII - Barcos de Papel

















Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.


Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...


Fiquei moço.  E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles,


perfeitamente, exatamente iguais...
-Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!



Guilherme de Almeida
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