Chegas

















Chegas, e de repente eu me pergunto
como pude ser poeta antes de ti,
antes de nossas horas encandeadas...
Como pude escrever coisas que agora
me parecem belezas mutiladas...


Chegas, e de repente me surpreendo
de que ainda haja surpresas para o amor,
marcado como estou de cicatrizes...
Eu que escrevera um dia amargurado:
"agora, em meu caminho, só reprises"...


Chegas, e eu adolesço de alma e de corpo
e de repente, num verão que abrasa
como nunca pensara nem supus,
sou todo novos ramos, verdes ramos,
sou todo sol numa eclosão de luz...


J. G. de Araújo Jorge
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