A Noite
De noite todo sexo é livre
Sexo sem gênero... sem nível
Sexo auditivo... sexo audível
embrulhado, comprado, doado,
roubado e doente.
Sexo sem corpo... sexo sem alma
Corpos procuram sexo
nos quartos, nas ruas...
Amantes vendem seu sexo
por míseros caprichos
Mulheres num suplício
dormem com seus bichos amestrados
Nas ruas açougue de vivos e congelados
Meninas exibem seu sexo
flores de um jardim em pedaços
Homens querem meninos
pintos em novos ninhos
para todos gostos há espaço
Na noite... alucinação,
luzes... solidão
tudo nas escuras
cocaína derruba limites
de imaginação
Na noite toda policia é dura
tem tantas duras
em tantos lugares
Levam teu orgulho
antes dos assaltos
De proteger, eles te assustam
com o agir incauto
Caminhos impuros
olhos sujam observam tudo
braços ardentes, pernas nuas,
bocas vermelhas de desejos
desembocam sexo entre seus dentes
Entre a loucura e a razão
há muitas esquinas e horas
os fantasmas se escondem
e os sobreviventes comem seu pão
com o peso da madrugada
para no amanhecer
retornarem a rotina cansada.
Henrique Rodrigues Soares - A Natureza das Coisas
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