Até amanhã

















Não há mais ninguém na janela
A mulher que vende os peixes
Foi dormir
Já nada espera
(Alguém foi deixando de vir
Apesar das promessas)


Há um visco lacrimal
Nos peixes de dentro
E de fora da água
O sono é um ensaio de morte

Enquanto o despertador
Não toca
A dor fica presa
No freezer.



Adriane Garcia
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