QUALQUER FUTURO




















Estica a fita métrica
das projeções de vida
Situa tua melhor sentença
Elege a vingança ou a justiça

A barra de ferro
ou a sala de aula
o berro do giz
ou ópio da jaula

Aleija com o braço repressivo
da pressa a 'solução' mais fácil
Exalta a altivez do clamor público
Aplica o dedo em riste deste cárcere
Faz número e alimenta a amostragem
da mesma preta-pobre cor e classe

Busca no útero alguma fresta
Confunde o berçário com uma cela
Claudica de miséria, azar e ócio
Sai pós-graduado no crime-negócio

Lacrimeja o moleque recrutado
nas garras vorazes do tráfico
E tu condena o drama com astúcia
Da pura penitência e plena fúria
Massacra tudo com um erro crasso
então se finda ali qualquer futuro


Alan Salgueiro
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Poética

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