Helena























Azul! Sou eu... Das furnas da morte eis que venho
Ouvir a onda quebrar nas escadas sonoras;
Rever, douradas, as galeras nas auroras
Sair da sombra pelos remos e seu empenho.

Minhas mãos solitárias invocam monarcas
Cuja barba de sal prazia a meus dedos puros;
Eu chorava. Cantavam triunfos obscuros
E os golfos todos sob as popas de suas barcas.

Ouço a concha abissal, ouço ainda o clarim
Marcial ritmar o voo dos remos; assim
O canto dos galés subjuga o tumulto,

E os Deuses, na proa heroica engrandecidos,
Com o sorriso antigo ante a espuma e seu insulto,
Dão-me os braços complacentes e esculpidos.


Hélène

Azur! c’est moi… Je viens des grottes de la mort
Entendre l’onde se rompre aux degrés sonores,
Et je revois les galères dans les aurores
Ressusciter de l’ombre au fil des rames d’or.

Mes solitaires mains appellent les monarques
Dont la barbe de sel amusait mes doigts purs;
Je pleurais. Ils chantaient leurs triomphes obscurs
Et les golfes enfuis aux poupes de leurs barques.

J’entends les conques profondes et les clairons
Militaires rythmer le vol des avirons;
Le chant clair des rameurs enchaîne le tumulte,

Et les Dieux, à la proue héroïque exaltés
Dans leur sourire antique et que l’écume insulte,
Tendent vers moi leurs bras indulgents et sculptés.


Paul Valéry, em “Fragmentos do Narciso e Outros Poemas”. [tradução Júlio Castañon Guimarães]. Cotia SP: Ateliê Editorial, 2013.
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