Há tanto para entristecer
Que vou deixar para amanhã
No dia em que eu der vazão
Ao peito
Será o suspiro de um rio
E trarei água para os pulmões
Lembro-me, longínquo
De estar sentada na soleira da porta
Olhando o movimento da rua:
Eu não tinha a metade destas cicatrizes
E os olhos já marejavam
Jamais eu poderia prever
Que a ternura se perdia
Ainda que as frases de efeito
Continuassem
Repetidas à exaustão
Mas agora conheço o cheiro da eternidade
Agora experimento o castigo de Deus
Nem mesmo a morte nos livrará
De ter vivido
Tenho imaginado o que as pedras sofrem
Você já reparou o que acontece
Com o olhar dos velhos?
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Adriane Garcia
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