Alma

























Acho que os sentimentos têm células, 
pois as sinto remexer, 
intensas libélulas 
a se fundir e a se desprender. 

Alimentam-se de lágrimas e risos, 
sempre crescem. 
A cada instante que vivo, 
mais então se expandem, 
mais amadurecem. 

Seu núcleo me pede pulsações 
e quando me perco pelas emoções, 
ele se avoluma e me maltrata. 
Chega a ser tão grande seu efeito, 
que rompe o peito,sangra 
e se dilata. 

Ah minhas células emotivas! 
Quero-as em mim 
coladas e cativas 
fazendo-me viver intensamente. 
Eu as batizo com o nome de "alma" 
e as responsabilizo a viver eternamente 
ainda quando o coração se acalma 
e põe-se a dormir 
irreversivelmente.


Flora Figueiredo, em "Florescência". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
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