“Metáfora”


























Já não tento reter do dia
a luz que por exata concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves.
O tempo tem o galope das Fúrias
ventos que jamais enternecem.
Melhor correr da memória o labirinto,
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: o que restar
será na noite a forma intáctil,
o espectro redivivo.
(Mais no mundo me vivo,
mais no comando de sombras me esmero.)
Deus conceda que me baste
este último consolo de náufrago,
a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.


Fernando Campanella
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