O Esquizofrênico
















No seu delírio vai compondo os gestos
diante da platéia inexistente;
ele próprio é a platéia, mas não sente
do espetáculo mais que os pobres restos

que a memória lhe acende nos esgares
da fisionomia descomposta.
No seu delírio a fala, sem resposta,
se resolve em grunhidos singulares,

num discurso arbitrário de fonemas
reduzidos à simples expressão
de sons primevos que de sempre estão
revelando carências, e as extremas

ruínas de seu cérebro em pedaços.
Os gestos multiplicam-se em algemas
e a platéia se cala, membros lassos.



Fernando Py - 30-01-1994 - (de Sol nenhum)
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